O plano da Volvo para integrar criptomoeda própria e rastreamento em tempo real

O plano da Volvo para integrar criptomoeda própria e rastreamento em tempo real

O Grupo Volvo deu um passo importante ao testar uma criptomoeda própria em uma rede blockchain fechada. O objetivo da fabricante é agilizar transações e o fluxo de dados com seus parceiros de transporte e fornecedores de matéria-prima.

Em entrevista à Cardano Foundation, Ivan Branco, chefe de gestão de informação, IA e análise da Volvo Group Trucks Operations, explicou que a iniciativa é um teste interno. A ideia é facilitar remessas internacionais e registrar pedidos de forma inviolável, sem depender de moedas tradicionais.

“Nós fizemos explorações também com certos fornecedores de transporte para ver se conseguíamos criar, digamos, um ambiente fechado usando blockchain para as transações entre o fornecedor de material, o fornecedor de transporte e nós mesmos com uma criptomoeda própria que criamos para esse propósito específico”, revelou Branco.

Os planos por trás da criptomoeda própria e os desafios geopolíticos

Esse projeto piloto faz parte de um plano maior da divisão de caminhões, ônibus e equipamentos pesados da Volvo para modernizar sua cadeia logística por meio de redes descentralizadas.

A empresa enxerga valor nessa tecnologia para rastrear o ciclo de vida de componentes reciclados. Além disso, a iniciativa ajuda a marca a se adequar às novas regras da União Europeia, como o Passaporte Digital de Produtos.

Rastrear a origem de peças e veículos é crucial para evitar multas pesadas causadas por sanções internacionais e barreiras geopolíticas. A fabricante precisa garantir que suas cargas não terminem em territórios embargados por meio de intermediários.

“Quando ocorreu a situação Rússia-Ucrânia, onde a União Europeia disse para não enviar mais mercadorias para a Rússia, você precisa saber se os produtos estão chegando à Rússia, por exemplo, porque você os envia para importadores que podem revender essas peças e você continua sendo responsável”, detalhou o executivo.

Apesar do potencial de ter uma criptomoeda própria para liquidar transações internas, Branco ponderou que a implementação em larga escala esbarra na integração com sistemas antigos, suporte e na falta de conhecimento técnico do mercado.

Embora o projeto da Volvo Group ainda esteja na fase de ideias, a marca irmã Volvo Cars já utiliza a tecnologia blockchain desde 2019 para rastrear o cobalto usado em baterias de carros elétricos.