O Bitcoin voltou a perder força nesta quinta-feira (29), interrompendo dois dias de recuperação e chegando abaixo de US$ 80 mil. A pressão veio da postura mais dura do Federal Reserve (Fed) em relação à inflação e de uma nova onda de vendas nas ações de tecnologia.

Nas últimas 24 horas, a criptomoeda recuava 1,4%, para US$ 80.080. O Ethereum caía 2,1%, para US$ 2.322, enquanto XRP e Solana registravam perdas de 3% e 2,3%, respectivamente. A BNB recuava 0,1%.

O mercado também se prepara para acompanhar os balanços da Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin, e da Coinbase. Os resultados podem oferecer novas pistas sobre a situação das empresas expostas ao setor em meio à volatilidade dos preços.

A decisão de política monetária dos Estados Unidos já estava no radar dos investidores. Na quarta-feira (28), o Fed manteve os juros entre 3,75% e 4% ao ano, mas as declarações de seu presidente, Kevin Warsh, reforçaram a preocupação com a persistência da inflação.

Embora tenha reconhecido avanços no controle dos preços, Warsh afirmou que a inflação continua elevada. Com isso, uma nova alta de juros em dezembro permanece entre os cenários considerados pelo mercado. O banco ING, por exemplo, ainda prevê um aumento na próxima reunião.

Juros mais altos podem tornar os títulos públicos americanos mais atraentes e reduzir o apetite por ativos de risco, como ações e criptomoedas. A combinação de incerteza monetária e perdas nas bolsas passou a pesar sobre os preços dos principais criptoativos.

Bitcoin cai abaixo de US$ 80 mil em meio a perdas no setor de tecnologia

A pressão não veio apenas do Fed. As ações de empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial também recuaram, depois de resultados corporativos que ficaram aquém das expectativas em alguns indicadores.

Na Coreia do Sul, os papéis da Samsung Electronics chegaram a cair mais de 5% após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre. A divisão de semicondutores registrou lucro operacional de 106,5 trilhões de wons, cerca de 15 vezes o resultado do mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o número ficou abaixo da expectativa média dos analistas, de 108,5 trilhões de wons.

A companhia também anunciou planos de investir aproximadamente US$ 63 bilhões neste ano, um aumento de cerca de 60%. Os números pressionaram o mercado sul-coreano, e o índice Kospi recuava mais de 2%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do Nasdaq caíam cerca de 1,4%.

A Alphabet, controladora do Google, também decepcionou em alguns indicadores de seu balanço trimestral. Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa chegaram a cair aproximadamente 7% nas negociações posteriores ao fechamento do mercado americano.

O movimento reverteu parte do otimismo observado na quarta-feira, quando resultados positivos de fabricantes de chips impulsionaram bolsas asiáticas e ajudaram o Bitcoin a recuperar o nível de US$ 81 mil.

A volatilidade também atingiu operações alavancadas. Cerca de US$ 356 milhões em posições de futuros de criptomoedas foram liquidados nas últimas 24 horas. Desse total, US$ 205 milhões correspondiam a posições que apostavam na alta dos preços. As liquidações somaram aproximadamente US$ 94 milhões em posições de Bitcoin e US$ 72 milhões em Ethereum.

Esse tipo de encerramento automático ocorre quando o mercado se movimenta contra uma posição financiada com recursos emprestados e as garantias deixam de ser suficientes para mantê-la aberta.

Balanço da Strategy coloca custo médio do Bitcoin no radar

A divulgação dos resultados financeiros da Strategy é outro evento acompanhado de perto pelos investidores nesta quinta-feira. A companhia de Michael Saylor informou ao mercado, em 26 de outubro, que possuía 848.517 bitcoins, adquiridos por um preço médio de US$ 75.446 cada.

Com o Bitcoin próximo de US$ 80 mil, a reserva da empresa estava avaliada em aproximadamente US$ 68 bilhões, diante de um investimento acumulado de cerca de US$ 64 bilhões. A diferença representa uma valorização próxima de 6% em relação ao custo médio de aquisição.

Essa margem é bem menor do que a observada quando a criptomoeda era negociada acima de US$ 100 mil. Ainda assim, a aproximação entre a cotação e o custo médio não significa que a Strategy seja obrigada a vender seus bitcoins: trata-se de uma referência para estimar ganhos não realizados, e não de um gatilho automático de liquidação.

Outro detalhe é que a companhia não comprou novos bitcoins na semana encerrada em 25 de outubro. Em vez disso, direcionou recursos para a recompra de ações preferenciais STRC.

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos também estão sob observação. Segundo a Glassnode, o preço médio de aquisição dos investidores desses produtos está próximo de US$ 81.500, acima da cotação atual. Isso sugere que, em termos agregados, essas posições estão próximas de apresentar perdas não realizadas.

Além da Strategy, a Coinbase divulga seus resultados financeiros nesta quinta-feira. Os dados devem oferecer informações sobre os volumes de negociação e a atividade dos investidores no mercado de criptomoedas.

Com o Bitcoin novamente sob pressão, os próximos movimentos dependerão da reação dos mercados de tecnologia, da leitura dos resultados corporativos e dos sinais sobre a trajetória dos juros americanos.

A combinação desses fatores ajudará a determinar se a criptomoeda conseguirá recuperar o nível de US$ 80 mil com maior sustentação ou permanecerá pressionada nos próximos dias.

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Luíza Nunes
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