O lançamento da coleção de NFTs Yield Fields na rede Robinhood Chain movimentou o ecossistema Web3, mas também trouxe uma onda de questionamentos sobre a originalidade e a qualidade de novos projetos. A coleção de 3,333 títulos de terras vendeu todas as suas unidades rapidamente, servindo de gatilho para o surgimento de diversos projetos parecidos.

Em uma publicação realizada no dia 28 de outubro na rede social X, o analista SafZ apontou a existência de pelo menos seis variações inspiradas na mecânica da Yield Fields. As adaptações do formato de fazenda incluem ambientações com macacos, chocagem de ovos, serviços bancários, pesca, ilhas flutuantes e batalhas contra chefões.

SafZ descreveu a tendência como um simples “Ctrl+C, Ctrl+V”, alertando sobre a facilidade atual de lançar esses títulos com o suporte de ferramentas tecnológicas. “É muito fácil lançar um jogo com IA agora. Alguns são bons, outros são extremamente ruins”, destacou o analista em sua postagem.

Diante do cenário, SafZ incentivou que os leitores e jogadores façam pesquisas detalhadas antes de participar de qualquer emissão de tokens. Ele encerrou seu alerta ressaltando a importância da leitura básica prévia e avisando: “Não seja cultivado”.

Vale destacar que a publicação não documentou desvio de fundos, falhas técnicas de código ou fraudes confirmadas.

O sucesso financeiro e o ecossistema dos NFTs de jogos

O processo de venda pública da Yield Fields ocorreu em 13 de outubro e durou cerca de 30 segundos, segundo relatório do BlockchainGamerBiz. O leilão holandês foi projetado para durar 24 horas, caindo de 1 ETH até 0,069 ETH, mas acabou encerrado e liquidado no valor final de 0,999688 ETH por item.

O relatório estimou uma arrecadação de aproximadamente 3,332 ETH (cerca de US$ 8,3 milhões), mas ponderou que o valor total arrecadado é incerto. Essa indefinição ocorre porque uma lista de acesso garantido (whitelist) anterior permitiu compras antecipadas, e não foi confirmado se esses compradores pagaram o mesmo preço do leilão público.

No dia 28 de outubro, o site oficial da Yield Fields informava que seu saguão de entrada estava aberto na Robinhood, disponibilizando o link de acesso. Paralelamente, dados do marketplace OpenSea indicavam uma taxa de criador de 5% sobre a coleção na Robinhood Chain.

Na snapshot do marketplace, o preço mínimo (floor price) estava registrado em US$ 2.015,05, enquanto a maior oferta era de US$ 1.863,63. A diferença entre a menor oferta de venda e a maior proposta de compra era de US$ 151,42 (cerca de 7,5% do preço mínimo), somando US$ 33 mil em volume diário e US$ 3,3 milhões em volume total.

A atividade de NFTs de jogos e colecionáveis na Robinhood Chain precede os debates recentes. Em 11 de agosto, a coleção Spritehood arrecadou US$ 1.282,852 na emissão de 42.956 tokens pagos. De acordo com o analista 0xlaplaced, foram vendidos 37.430 tokens na faixa de US$ 17 e 5.526 tokens na faixa de US$ 117, além de 1.488 distribuídos gratuitamente.

Estudos sobre a rede também mostram o perfil de uso da infraestrutura. Em setembro, Lorenzo Valente, diretor de pesquisa da ARK Invest, apontou que transações no contrato de troca da carteira oficial representavam menos de 1% da atividade analisada, com boa parte do tráfego restante direcionado a plataformas como GMGN e OKX.

Por fim, vale ressaltar que a presença desses NFTs em páginas de busca na blockchain não implica endosso institucional ou garantia de custódia por parte da corretora Robinhood, mantendo os riscos habituais de negociação em redes abertas.

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Luíza Nunes
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