A descentralização do XRP voltou ao centro do debate após Justin Bons, fundador da Cyber Capital, acusar o projeto de promover uma representação enganosa de seu funcionamento. A crítica chega às vésperas da estreia da Evernorth, empresa de tesouraria focada em XRP, na Nasdaq.

O ponto central da disputa é quem realmente tem poder sobre as regras e a participação na rede XRP Ledger. Bons afirma que a influência sobre as listas de validadores concentra poder em um grupo restrito.

David Schwartz, CTO emérito da Ripple e um dos arquitetos originais do ledger, discorda dessa interpretação.

XRP é mesmo descentralizado ou depende de validadores selecionados?

Para Bons, o mecanismo de consenso do XRP funciona, na prática, como um sistema de Proof of Authority (Prova de Autoridade), no qual listas de validadores teriam influência decisiva. Segundo ele, listas publicadas pela Ripple e pela XRP Ledger Foundation colocam seus responsáveis em uma posição privilegiada.

O desenvolvedor também questiona mudanças de software cuja divulgação, em sua avaliação, não oferece transparência suficiente aos participantes da rede e aos investidores. Uma alteração do XRP Ledger poderia ser ativada em 9 de outubro caso recebesse apoio suficiente dos validadores, conforme as regras de votação da rede.

Schwartz rejeita a ideia de que a lista conhecida como Unique Node List (UNL) conceda controle efetivo sobre a governança. Ele argumenta que qualquer pessoa pode executar um nó ou operar um validador e que os próprios nós honestos aplicam as regras do protocolo.

A divergência vai além da terminologia. Enquanto Bons vê a influência sobre as listas de validadores como uma fonte de poder concentrado, Schwartz sustenta que a rede pode resistir à censura e que a escolha de software ajuda a resolver divergências, assim como ocorre em outras blockchains.

Por que a estreia da Evernorth na Nasdaq importa para o XRP?

A discussão ganhou força porque a Evernorth, empresa de tesouraria de XRP apoiada pela Ripple, espera concluir sua fusão com a Armada Acquisition Corp. II. A estreia na Nasdaq, sob o ticker XRPN, está prevista para segunda-feira, 12 de outubro.

A empresa detém aproximadamente 473 milhões de XRP e conta com o apoio de investidores como Ripple, Pantera e Kraken. Caso a listagem avance conforme previsto, a Evernorth se tornará o maior veículo de capital aberto dedicado exclusivamente ao ativo, segundo a fonte.

Para os críticos, a operação amplia os questionamentos sobre concentração e transparência no ecossistema. Já os defensores destacam que o XRP Ledger continua sendo uma rede pública e que a empresa oferece uma forma regulada de obter exposição ao XRP.

A estreia também coloca em evidência uma distinção importante: a estrutura de uma empresa que mantém XRP em tesouraria não é necessariamente equivalente à governança da blockchain em que o ativo circula.

Com a listagem prevista para segunda-feira, investidores devem acompanhar tanto a demanda inicial pelas ações da Evernorth quanto a repercussão da discussão sobre a descentralização do XRP. O debate, porém, envolve aspectos diferentes — a distribuição do poder na rede e a estrutura corporativa de uma empresa que acumula o ativo.

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Luíza Nunes
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