A Solana pode estar bem posicionada para levar a tecnologia blockchain a centenas de milhões de pessoas sem que elas precisem sequer perceber que estão usando cripto. A avaliação é de Mike Dudas, cofundador da gestora de venture capital 6th Man Ventures e investidor inicial em projetos do ecossistema Solana.
Em participação no podcast Fomo Hour, da Decrypt, Dudas afirmou que a principal vantagem da rede está na variedade de atividades que ela consegue suportar. Para ele, Solana funciona como uma infraestrutura voltada a negociação, movimentação de dinheiro e liquidação.
A tese é que essa combinação pode ajudar a próxima geração de aplicativos cripto a chegar ao público comum. Em vez de exigir que o usuário entenda carteiras, taxas ou transações on-chain, os aplicativos podem esconder boa parte dessa complexidade.
Um exemplo citado por Dudas é a possibilidade de adicionar dinheiro a uma conta usando serviços como o Apple Pay. Nesse modelo, a pessoa utiliza uma experiência semelhante à de qualquer aplicativo financeiro, enquanto a infraestrutura blockchain fica nos bastidores.
Segundo o investidor, essa pode ser a forma mais comum de o público entrar em contato com aplicações on-chain no futuro: usando produtos que funcionam como serviços tradicionais, sem necessariamente saber qual blockchain está por trás deles.
Solana aposta em infraestrutura para aplicações cripto
Para Dudas, o diferencial da Solana está justamente em características que não aparecem para o usuário final. Disponibilidade contínua, liquidez, taxas baixas e liquidação quase instantânea são alguns dos elementos que podem sustentar essa experiência.
A lógica é simples: quanto menos etapas técnicas o usuário precisar entender, menor tende a ser a barreira para utilizar uma aplicação baseada em blockchain.
“O unsexy stuff enables the stuff that people use”, afirmou Dudas durante o podcast.
O investidor também comparou esse modelo com blockchains ligadas a grandes empresas, citando Base, da Coinbase, e Robinhood Chain. Na avaliação dele, essas redes enfrentam incentivos diferentes porque suas empresas controladoras também têm interesse em direcionar usuários para produtos que gerem receita.
Além da infraestrutura, Dudas destacou a diversidade de usos dentro do próprio ecossistema Solana. A rede abriga desde tokens especulativos até aplicações relacionadas à negociação de ações, segundo o investidor.
Para ele, essa variedade é uma das forças da blockchain, especialmente porque a rede continua oferecendo suporte a diferentes tipos de aplicações.
Outro ponto citado na entrevista foi a atividade envolvendo memecoins. Dudas afirmou que o ecossistema de memecoins da Solana mostrou maior resiliência do que boa parte do mercado cripto durante a fase de baixa.
Solana também discute mudanças na emissão de SOL
A discussão sobre a infraestrutura da Solana acontece ao mesmo tempo em que validadores avaliam mudanças na emissão do token SOL.
As propostas estão reunidas no SGP-0003 e buscam acelerar a redução da emissão de novos SOL, além de aumentar a quantidade de tokens queimada por meio das taxas da rede.
Dudas declarou apoio à redução da emissão. Na visão dele, a ideia de que níveis muito elevados de inflação são necessários para garantir a segurança da rede teria sido superestimada.
Caso as propostas avancem, a combinação de menor emissão e maior queima poderia reduzir o crescimento da oferta de SOL. O impacto sobre o mercado, porém, dependeria da evolução da demanda pelo ativo.
Para Dudas, a capacidade de concentrar diferentes atividades em uma mesma infraestrutura é justamente o que coloca a Solana em uma posição relevante na próxima fase de adoção cripto.
A tese não depende apenas de trazer mais pessoas diretamente para carteiras e exchanges. Ela parte de uma mudança mais ampla: fazer com que blockchain se torne uma camada de infraestrutura quase invisível nos aplicativos que as pessoas já utilizam.




