A Fundação Ethereum está deixando de lado a função hash Poseidon em sua arquitetura planejada para tornar o Ethereum mais preparado para a era pós-quântica. Segundo Justin Drake, pesquisador ligado à fundação, avanços recentes em provas criptográficas reduziram a vantagem de desempenho que havia tornado o Poseidon uma opção considerada para esses sistemas.
A mudança foi anunciada por Drake na quinta-feira. Em vez do Poseidon, a Fundação Ethereum pretende trabalhar com alternativas já consolidadas, como SHA e BLAKE.
Funções hash transformam dados em uma sequência de tamanho fixo, conhecida como hash ou impressão digital digital. Na prática, elas permitem verificar se uma informação foi modificada e são uma peça importante da infraestrutura criptográfica de uma blockchain.
O Poseidon vinha sendo considerado para sistemas futuros do Ethereum, incluindo o leanVM, uma arquitetura planejada para ajudar a rede a verificar grandes volumes de atividade de blockchain de maneira mais eficiente.
Essas tecnologias, porém, ainda não foram implantadas na mainnet do Ethereum.
Fundação Ethereum muda estratégia para o leanVM
De acordo com Drake, a evolução das SNARKs mudou a relação entre desempenho e segurança. As SNARKs são provas criptográficas compactas que permitem confirmar que determinada computação foi executada corretamente sem que seja necessário repetir todo o processamento original.
Com esses avanços, hashes convencionais como SHA e BLAKE passaram a oferecer desempenho suficiente para os sistemas que estavam sendo planejados. Isso reduz a necessidade de recorrer ao Poseidon para obter ganhos de eficiência.
A mudança também coloca mais peso sobre tecnologias criptográficas que já passaram por anos de análise e testes. Para Sreeram Kannan, fundador e CEO da Eigen Labs, sistemas baseados em hashes estabelecidos apresentam menos caminhos de ataque conhecidos do que algumas outras alternativas consideradas para aplicações pós-quânticas.
Kannan também afirmou que a colaboração entre a Eigen Labs, a Fundação Ethereum e a empresa de provas de conhecimento zero Succinct aumentou em 2,5 vezes a velocidade de geração dessas provas.
A questão é relevante porque a preparação pós-quântica não depende apenas de escolher um algoritmo considerado seguro contra computadores quânticos. O desafio também envolve fazer com que as soluções sejam eficientes o bastante para funcionar em uma blockchain que precisa processar e verificar grandes quantidades de dados.
Qual é o próximo passo da Fundação Ethereum?
O cronograma apresentado por Drake prevê uma versão pronta para produção do leanVM em 2027. Depois disso, a expectativa é que a tecnologia seja implementada nas camadas de consenso, dados e execução do Ethereum ao longo de 2028.
Essas datas, no entanto, ainda são preliminares e não representam um calendário definitivo de implantação.
A decisão de abandonar o Poseidon também não significa que a tecnologia esteja sendo removida de alguma infraestrutura já ativa na rede. Os sistemas citados fazem parte de uma arquitetura futura e ainda não foram lançados na mainnet.
Por enquanto, a Fundação Ethereum está priorizando alternativas criptográficas já conhecidas, enquanto os avanços em provas compactas tornam possível alcançar desempenho suficiente sem depender do Poseidon.



