
O Bitcoin caiu para perto de US$ 75 mil nesta sexta-feira (6), acompanhando a forte correção das bolsas americanas. A queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos aumentou a aversão ao risco e pressionou o mercado de criptomoedas, que também registrou mais de US$ 1 bilhão em liquidações de posições alavancadas nas últimas 24 horas.
Nas primeiras horas da manhã, o BTC chegou a ser negociado em torno de US$ 75.700. Em uma atualização do mercado, a criptomoeda recuava 5,3%, cotada a US$ 76.055. O Ethereum caía 7,8%, para US$ 2.238, enquanto o XRP recuava 9,6%. Solana e BNB registravam quedas de 6,5% e 2,9%, respectivamente.
O movimento ganhou intensidade após o pregão de quinta-feira (5), quando Wall Street teve seu pior desempenho desde abril de 2025. O Nasdaq perdeu 5,5%, o S&P 500 caiu cerca de 4,4% e o Dow Jones recuou 3,4%, em meio a dúvidas sobre os retornos dos investimentos em inteligência artificial.
A correção das bolsas também atingiu os derivativos de criptomoedas. Dados da CoinGlass apontaram mais de US$ 1 bilhão em posições alavancadas liquidadas em 24 horas, com predominância de operações que apostavam na valorização dos ativos.
Bitcoin sente pressão das ações de IA e da incerteza política
A queda acontece poucos dias após a vitória dos democratas nas eleições legislativas americanas de terça-feira (3). Inicialmente, o resultado favoreceu os ativos de risco e levou o Bitcoin novamente acima de US$ 80 mil na quarta-feira. A recuperação, porém, perdeu força diante da deterioração do mercado de tecnologia.
Parte da preocupação dos investidores está relacionada à possibilidade de o novo equilíbrio político no Congresso ampliar a pressão regulatória sobre a expansão dos data centers usados pela indústria de inteligência artificial. O debate ocorre enquanto o mercado questiona se os investimentos bilionários no setor devem gerar retornos suficientes.
As ações da Nvidia recuaram 9,3% na quinta-feira, enquanto o índice de semicondutores da Filadélfia caiu aproximadamente 12%. Empresas de mineração de Bitcoin, algumas delas também atuantes no fornecimento de infraestrutura de computação para IA, acompanharam a queda.
Joshua Lim, codiretor global de mercados da FalconX, afirmou ao CoinDesk que investidores voltaram a reduzir exposição a ativos de risco diante das possíveis consequências de uma desaceleração na construção de data centers. Carlos Guzman, vice-presidente de pesquisa da GSR, também relacionou o movimento às eleições e às dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial.
Jasper De Maere, trader da Wintermute, avaliou que o mercado cripto demonstrou alguma resistência em comparação com ações mais expostas ao setor de IA. Para ele, a adoção crescente das criptomoedas continua oferecendo sustentação à perspectiva de médio prazo, embora o cenário de curto prazo exija cautela.
Saídas dos ETFs e payroll colocam o Bitcoin sob pressão
O fluxo dos fundos negociados em bolsa (ETFs) à vista de Bitcoin nos Estados Unidos também contribuiu para o cenário negativo. Segundo dados da Farside Investors, os produtos registraram saídas líquidas de US$ 430,2 milhões na quinta-feira (5), depois de receberem US$ 74,6 milhões na sessão anterior.
O FBTC, da Fidelity, liderou os resgates, com US$ 199,9 milhões. O IBIT, da BlackRock, teve saídas de US$ 105 milhões. Nas últimas sete sessões de negociação, o saldo negativo acumulado chegou a aproximadamente US$ 1,36 bilhão.
Agora, os investidores acompanham a divulgação do payroll de outubro, relatório oficial de emprego dos Estados Unidos previsto para as 10h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília.
Economistas consultados pela Reuters esperam a criação de 65 mil vagas, após o resultado de 29 mil postos em setembro. A projeção também aponta desemprego estável em 4,2% e desaceleração do crescimento anual dos salários para 2,9%.
Os dados podem influenciar as expectativas sobre as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), especialmente diante das preocupações com a inflação e da possibilidade de uma nova alta dos juros em dezembro. Juros mais elevados tendem a diminuir a atratividade de ativos de risco, incluindo criptomoedas.
No mercado, a região de US$ 75 mil concentra a atenção dos operadores. Uma análise técnica publicada pela Reuters nesta semana apontou que a perda desse suporte poderia abrir espaço para uma queda até US$ 73.188, nível em que estava localizada a média móvel de 200 dias considerada no levantamento.
No sentido contrário, uma recuperação acima de US$ 81.319 poderia enfraquecer a tendência de baixa e favorecer um movimento em direção a US$ 84.800.
Com as bolsas pressionadas, saídas dos ETFs e incertezas sobre os juros americanos, o Bitcoin encerra a semana próximo de uma região técnica decisiva. O payroll pode ajudar a definir se a criptomoeda encontrará sustentação em torno de US$ 75 mil ou continuará perdendo valor.









