A Solana quer atrair investidores que buscam alternativas além das memecoins. A Leap, nova empresa ligada à Solana Labs, lançou a versão beta de um aplicativo que reúne ações tokenizadas, ETFs, metais, moedas tradicionais e criptomoedas em uma única plataforma de negociação.

A proposta é permitir operações com esses ativos a qualquer hora do dia, embora a disponibilidade dependa de restrições geográficas. O aplicativo já pode ser acessado por usuários de iPhone por meio do programa público TestFlight, da Apple. Uma versão para Android está prevista para chegar em breve.

A Leap foi desenvolvida pela equipe por trás da Dialect, empresa adquirida pela Solana Labs no início deste ano. A Dialect ficou conhecida pelo desenvolvimento do Solana Actions e do Blinks, protocolo lançado em 2024 que transforma transações na blockchain em links compartilháveis, além do recurso de cashtags na rede social X.

Leap aposta em negociação além das memecoins

O aplicativo tenta se diferenciar da dinâmica de negociações rápidas que domina parte do mercado de memecoins. Em vez de concentrar a experiência em ativos especulativos, a proposta é oferecer ferramentas para quem acompanha diferentes mercados e busca tomar decisões com base em informações.

Para isso, a Leap conta com uma equipe de pesquisa que seleciona notícias capazes de movimentar os preços e associa cada publicação ao gráfico do ativo no momento em que o acontecimento ocorreu. A ideia é permitir que o usuário acompanhe a relação entre eventos do mercado e oscilações nas cotações.

A plataforma também reúne informações sobre o desempenho das operações. O sistema acompanha lucros e perdas considerando depósitos, saques, negociações e taxas, além de calcular o preço de equilíbrio de cada posição.

Na prática, o usuário informa quanto deseja negociar em dólares, e cada operação é executada por meio de um swap onchain, ou seja, uma troca de ativos registrada diretamente na blockchain. Para viabilizar as transações, a Leap utiliza a Jupiter na roteirização das negociações, a Helius na infraestrutura e a Birdeye nos dados de mercado.

Segundo Chris Osborn, fundador da Dialect e gerente-geral da Leap, a velocidade da rede também é parte da estratégia. “The Solana blockchain now confirms a trade in about 150 milliseconds thanks to Alpenglow, so the network is now faster than ever”, afirmou.

O Alpenglow é uma atualização de consenso projetada para reduzir significativamente o tempo de confirmação das transações na Solana.

O cofundador e CEO da Solana Labs, Anatoly Yakovenko, também destacou o papel de novos aplicativos para ampliar a adoção da rede: “Every app that brings new people onchain makes the whole ecosystem stronger”.

A Leap não cobra taxas próprias neste lançamento, mas os usuários ainda estão sujeitos a custos da rede e da roteirização das operações. A empresa planeja destinar parte das futuras receitas de taxas à recompra e queima de SOL, mecanismo que retira tokens permanentemente de circulação, além de financiar um programa de indicações.

Os primeiros integrantes da lista de espera, chamados de Founders Club, poderão receber 30% das taxas de negociação geradas pelos usuários que convidarem. Também está previsto um repasse de 5% sobre as taxas geradas pelas indicações feitas por esses novos usuários.

O lançamento ocorre em meio ao avanço dos ativos tokenizados na Solana. A Securitize, por exemplo, já levou à rede ações tokenizadas de Nvidia, Apple e Amazon. Mas a expansão desse mercado também enfrenta resistência: 56 empresas se opuseram à negociação de suas ações em uma plataforma planejada por OKX e ICE.

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Luíza Nunes
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