
Os ETFs de Bitcoin e Ether negociados nos Estados Unidos voltaram a registrar entradas de recursos na quarta-feira, encerrando sequências de retiradas que vinham pressionando os fundos. Juntos, os produtos atraíram US$ 127,6 milhões, em meio à recuperação do mercado de criptomoedas após as eleições de meio de mandato nos EUA.
Os ETFs spot de Bitcoin receberam US$ 74,6 milhões, enquanto os fundos de Ether registraram entradas de US$ 53 milhões, segundo dados da SoSoValue.
A retomada interrompeu três sessões consecutivas de saídas dos ETFs de Bitcoin, que haviam acumulado US$ 1,16 bilhão em retiradas. No caso do Ether, os fundos encerraram uma sequência ainda mais longa, de sete pregões negativos, que somaram US$ 657 milhões.
A movimentação coincidiu com uma recuperação mais ampla dos mercados. O Bitcoin voltou a superar US$ 80 mil, enquanto as bolsas americanas também avançaram após as vitórias dos democratas nas eleições legislativas.
ETFs de Bitcoin recuperam entradas, mas IBIT continua no vermelho
Apesar do resultado positivo do conjunto dos fundos, o desempenho entre as gestoras foi bastante diferente. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, registrou mais US$ 201,2 milhões em saídas na quarta-feira, ampliando para quatro sessões consecutivas sua sequência de retiradas.
Nesse intervalo, o fundo acumulou US$ 935,2 milhões em resgates, segundo dados da Farside Investors.
Na direção contrária, o Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC), da Fidelity, liderou as entradas do dia, com aproximadamente US$ 237 milhões. O desempenho ajudou a compensar as retiradas de outros produtos e contribuiu para que o saldo agregado dos ETFs de Bitcoin terminasse a sessão positivo.
Com os novos aportes, o saldo líquido de saídas dos ETFs de Bitcoin em 2026 caiu para aproximadamente US$ 79 milhões.
Eleições explicam a recuperação do Bitcoin?
Para James Butterfill, chefe de pesquisa da gestora de ativos digitais CoinShares, parte do resultado eleitoral já estava incorporada aos preços antes da votação. Com isso, a redução das incertezas abriu espaço para uma recuperação dos mercados.
O analista, no entanto, alertou contra atribuir peso excessivo ao resultado das eleições na explicação para o desempenho do Bitcoin.
CK Zheng, cofundador do fundo de hedge cripto ZX Squared Capital e ex-chefe global de risco do Credit Suisse, destacou outros fatores que considera mais relevantes para os movimentos da criptomoeda, como a liquidez monetária, os fluxos de investimentos institucionais e o apetite geral dos investidores por ativos de risco.
Zheng também observou que os ETFs spot de Bitcoin e as reservas corporativas mantidas em BTC podem ampliar a demanda institucional. Ao mesmo tempo, essa participação torna o mercado mais exposto a movimentos de venda por grandes investidores.








