
O Zcash caiu 7,29% nesta quinta-feira e passou a ser negociado a US$ 1.333,50, ampliando a correção desde o topo recente de US$ 1.698, alcançado no fim de setembro.
Com a queda, o Zcash está cerca de 21% abaixo da máxima. Ainda assim, o movimento acontece depois de uma forte valorização: entre a mínima de US$ 480,72 e o pico recente, a criptomoeda acumulou alta de aproximadamente 253%.
O cenário também ocorre em meio a um mercado mais amplo sem uma direção clara. O Bitcoin chegou a US$ 85.600 na quarta-feira após um dado de inflação PCE abaixo do esperado, mas devolveu rapidamente os ganhos.
Outro fator envolve o mercado de ETFs. A Grayscale lançou o Zcash ETF, de ticker ZCSH, em 25 de agosto. Até meados de setembro, o produto havia acumulado US$ 233 milhões em entradas líquidas.
Na quarta-feira, porém, o fundo registrou saída líquida de US$ 30,25 milhões. Com isso, as entradas líquidas acumuladas ficaram próximas de US$ 268 milhões. No mesmo dia, também entrou em vigor um desdobramento de três para um nas cotas do ETF.
Zcash também é afetado por movimentações ligadas ao hack da Bitget
O ataque à Bitget adicionou outro elemento à discussão sobre o Zcash. O grupo responsável roubou cerca de US$ 387 milhões da exchange em 24 de setembro, valor posteriormente revisado a partir da estimativa inicial de US$ 351,6 milhões após serem contabilizadas transferências nas redes Zcash e Tron.
O CEO da Bitget afirmou que o ataque é compatível com grupos de hackers norte-coreanos, mas a atribuição definitiva ainda não havia sido confirmada.
Na quarta-feira, o investigador de blockchain ZachXBT identificou a movimentação de 2.746 ZEC, equivalentes a cerca de US$ 3,9 milhões, de endereços associados ao hack para o pool protegido do Zcash, onde remetente, destinatário e valores das transações ficam ocultos.
O valor é pequeno em relação ao total roubado e, segundo a análise da fonte, provavelmente não foi o gatilho da queda desta quinta-feira. Ainda assim, a movimentação adiciona pressão sobre a percepção do ativo.
Os indicadores técnicos mostram um quadro misto. O Índice de Força Relativa, ou RSI, está em 50,2, nível considerado neutro depois das leituras de sobrecompra registradas durante o rali.
Já o ADX está em 52. Esse indicador mede a força de uma tendência, e não sua direção. Leituras acima de 25 indicam uma tendência considerada relevante, embora o indicador tenha atraso e possa continuar elevado mesmo durante uma queda.
As médias móveis exponenciais de 50 e 200 dias também mantêm, por enquanto, uma estrutura positiva: a média de 50 dias continua acima da de 200 dias.
Se a queda continuar, essas linhas podem começar a convergir, algo que costuma aparecer em momentos de mudança de tendência. Ainda assim, a fonte destaca que isso exigiria uma queda rápida e prolongada.
A própria trajetória recente do Zcash mostra que correções fortes não necessariamente encerraram o movimento de alta. Em junho, a criptomoeda caiu de US$ 635 para uma mínima intradiária de US$ 309 após a divulgação de uma vulnerabilidade crítica no pool protegido. Depois disso, voltou a subir e ultrapassou US$ 1.600.
Por enquanto, os indicadores apontam para uma correção após uma alta muito forte, com o momentum mais moderado e uma saída líquida relevante do ETF. Um fechamento diário abaixo de US$ 1.233 colocaria a chamada zona de ouro em foco, enquanto uma recuperação acima de US$ 1.410,72 poderia recolocar o movimento de alta em trajetória.








