A Binance sofreu o maior ataque cibernético já registrado no setor de criptomoedas. Na tarde de quinta-feira, invasores retiraram cerca de US$ 6,4 bilhões de carteiras quentes da corretora. A movimentação durou cerca de 20 minutos e afetou ativos espalhados por aproximadamente dez redes blockchain.

Estimativas das empresas de análise Chainalysis e TRM Labs confirmam que o valor supera em mais de quatro vezes o recorde anterior, que pertenceu ao ataque de US$ 1,5 bilhão contra a Bybit em fevereiro de 2025.

O ataque focou na infraestrutura da própria empresa, sem explorar falhas diretas nas redes blockchain.

Inicialmente, a corretora apontou que a invasão ocorreu a partir do computador comprometido de um engenheiro de DevOps. Mais tarde, o CEO Richard Teng esclareceu que a ação envolveu um processo de ataque mais complexo, sem utilizar apenas as credenciais de um único funcionário.

Os invasores também acionaram um mecanismo de autodestruição para apagar os rastros das ferramentas utilizadas.

Na rede Ethereum, os cibercriminosos utilizaram o padrão EIP-7702, funcionalidade introduzida em 2025 que permite a carteiras comuns executar códigos de contratos inteligentes temporariamente. Com 50 autorizações pré-assinadas, eles transformaram uma carteira da corretora em um contrato de varredura para drenar os fundos.

Teng afirmou que essa delegação não passou pelos controles normais de aprovação da empresa.

Como o mercado reage ao hack na Binance

Empresas especializadas atribuíram a autoria da invasão ao grupo TraderTraitor, vinculado à Coreia do Norte e também apontado como responsável pelo caso da Bybit. Para tranquilizar os usuários, Richard Teng garantiu que a Binance cobrirá a totalidade das perdas com recursos próprios e com o fundo de emergência SAFRE, ressaltando que os ativos dos clientes não foram atingidos.

A corretora reservou mais de US$ 6,34 bilhões para recompor o caixa e paralisou os saques temporariamente para reestruturar os sistemas, mantendo os depósitos funcionando.

Enquanto isso, emissoras de stablecoins agiram rapidamente para congelar fundos. A Tether bloqueou mais de US$ 1,5 bilhão em USDT, enquanto a Circle congelou cerca de US$ 823 milhões em USDC.

No total, aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos foram bloqueados ou localizados. No entanto, os criminosos ainda mantêm sob controle mais de 420.000 ETH e 18.270 BTC, além de outros tokens, somando mais de US$ 3 bilhões em ativos impossíveis de serem congelados por emissores centrais.

Apesar da magnitude do evento, o mercado de criptomoedas reagiu com relativa estabilidade.

O Bitcoin registrou uma queda pontual de 4%, cotado próximo de US$ 76.400, levando a liquidações de US$ 1,3 bilhão em posições alavancadas. Analistas atribuem a resiliência à maturidade do mercado atual, impulsionada pela presença de ETFs à vista que detêm cerca de 1,3 milhão de BTC em mãos institucionais.

O caso reacendeu debates regulatórios nos Estados Unidos, onde o presidente da CFTC, Michael Selig, defendeu maior supervisão sobre corretoras estrangeiras. Paralelamente, o fundador da corretora, Changpeng Zhao (CZ), ressaltou que a empresa absorverá os prejuízos e declarou: “Dói, mas nós sobrevivemos”.

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Luíza Nunes
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