
A reserva de Bitcoin estatal de El Salvador atingiram um novo marco. No dia 16 de outubro, o montante sob custódia do governo salvadorenho chegou a 7.807 BTC, uma quantia avaliada entre US$ 640 milhões e US$ 650 milhões com a cotação da criptomoeda próxima de US$ 82.000.
O avanço das compras acontece em um cenário curioso. O governo local firmou um acordo de empréstimo de US$ 1,4 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pacto que previa justamente a limitação no acúmulo de ativos digitais pelo setor público.
A estratégia de acumulação vem sendo mantida desde setembro de 2021, quando o governo estabeleceu a meta diária de adquirir 1 BTC. As adições ao caixa continuaram ocorrendo mesmo após o início do programa com o FMI, no começo de 2025, época em que o país detinha cerca de 6.070 BTC. Desde a assinatura, mais de 1.700 BTC foram incorporados à carteira nacional.
Qualquer pessoa pode acompanhar a evolução desses números em tempo real. O Escritório Nacional do Bitcoin publica de forma transparente os endereços das carteiras públicas, tornando El Salvador um dos raros governos a expor abertamente a gestão de seus ativos digitais, diferente da maioria dos países que mantêm custódias privadas decorrentes de apreensões judiciais.
O impasse entre a reserva de Bitcoin e as exigências do FMI
A liberação da linha de crédito de US$ 1,4 bilhão pelo FMI impôs exigências rígidas. A principal delas estabelecia limites claros às compras de ativos pelo setor público, além de exigir o fim do status do Bitcoin como moeda de curso legal, medida que havia projetado o país globalmente em 2021 e que foi devidamente revogada.
Para justificar a continuidade do crescimento do saldo, o FMI declarou que as moedas recebidas recentemente vêm de doações privadas, sem o uso de recursos públicos. A instituição financeira informou que não espera expansão da carteira além desses aportes de doadores, enquanto a administração do presidente Nayib Bukele reforça que a política de acúmulo permanece ativa.
O modelo atual demonstra que a reserva de Bitcoin e o financiamento internacional conseguem coexistir no momento. No entanto, analistas observam que o arranjo pode enfrentar gargalos caso revisões futuras do FMI interpretem que verbas públicas estão sendo destinadas às aquisições.
Com a cotação do ativo perto de US$ 82.000, o balanço salvadorenho exibe forte valorização no papel. Contudo, a exposição direta à volatilidade do mercado cripto mantém o patrimônio sujeito a variações expressivas de preço, ponto que segue sob observação atenta dos organismos internacionais.








