
O Bitcoin caiu 2,67% nas últimas 24 horas, para US$ 81.125, e está perto de devolver metade dos ganhos acumulados em setembro. A queda combina saídas expressivas de ETFs à vista, liquidações de posições alavancadas e um cenário macroeconômico desfavorável.
O movimento contraria o padrão sazonal que tornou outubro conhecido no mercado cripto como Uptober, apelido associado ao histórico de valorização da criptomoeda neste mês. Em vez de prolongar os ganhos, o ativo perdeu força após atingir US$ 87.354,33 em 21 de setembro e agora está cerca de 5,6% abaixo desse pico.
A pressão não vem apenas do mercado de criptomoedas. As bolsas de Wall Street recuaram na quarta-feira, enquanto o petróleo Brent se aproximava de US$ 100 por barril e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permaneciam perto dos níveis mais altos desde 2002.
As atas da reunião mais recente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, também indicaram que a maioria dos dirigentes esperava outro aumento dos juros antes do fim do ano. Juros elevados podem reduzir o apetite por ativos considerados mais arriscados, como o Bitcoin.
Bitcoin perde força com saídas de ETFs e liquidações
Os fundos de investimento em Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de US$ 484,9 milhões em 7 de outubro, o pior resultado diário desde junho, segundo dados citados pelo Decrypt.
O volume retirado equivale a aproximadamente 81% dos US$ 595,3 milhões que haviam entrado nesses produtos nos nove dias anteriores. Com isso, o saldo líquido de entradas na janela de dez dias caiu para US$ 110,4 milhões.
Apesar da saída recente, os ETFs ainda acumulam US$ 57,8 bilhões em entradas líquidas. Por enquanto, os dados apontam uma redução relevante dos fluxos positivos, mas não uma reversão completa do capital acumulado.
As posições alavancadas também ampliaram a pressão sobre os preços. Dados da CoinGlass indicam que cerca de US$ 429 milhões em posições foram liquidados nas últimas 24 horas, dos quais 87,5% eram posições compradas, que apostavam na valorização dos ativos.
Do total, US$ 135,51 milhões correspondiam a posições em Bitcoin e US$ 96,14 milhões, em Ethereum. Cerca de US$ 202,24 milhões foram liquidados nas quatro horas anteriores ao levantamento. Embora o volume tenha ficado abaixo dos US$ 969 milhões registrados no dia anterior, as liquidações continuam contribuindo para a pressão vendedora.
Quando uma operação alavancada acumula perdas que ultrapassam os limites exigidos pela corretora, a posição pode ser encerrada automaticamente. Esse processo força a venda dos ativos e pode intensificar movimentos de queda.
Indicadores técnicos mostram uma recuperação mais frágil
O gráfico diário ainda preserva alguns sinais positivos, mas os indicadores de curto prazo estão enfraquecendo. O Índice Direcional Médio (ADX), usado para medir a força de uma tendência independentemente de sua direção, recuou de 42,8 para 40,7. Leituras acima de 25 costumam indicar uma tendência forte.
A pressão compradora ainda supera a vendedora nesse indicador, mas o avanço perdeu intensidade. Ao mesmo tempo, a média móvel exponencial de 50 dias continua acima da média de 200 dias, configuração conhecida como cruzamento dourado e geralmente interpretada como um sinal de tendência de alta no longo prazo.
Esse quadro, porém, começa a perder força nos gráficos intradiários, nos quais o preço se aproxima da média de 200 dias.
O Índice de Força Relativa (RSI), que ajuda a avaliar o impulso comprador e vendedor, caiu de 52,5 para 45,8. A leitura abaixo de 50 indica que o impulso de curto prazo passou a favorecer os vendedores.
Já o indicador Squeeze Momentum aponta compressão da volatilidade, condição que pode anteceder um movimento mais expressivo, sem determinar antecipadamente se será de alta ou de baixa.
Quais níveis do Bitcoin observar agora
O nível de US$ 82.626,41 é uma referência importante para o próximo movimento. Um fechamento diário abaixo desse patamar reforçaria a quebra de um suporte de curto prazo e a continuidade da correção baixista. Uma recuperação acima dele, por outro lado, manteria aberta a possibilidade de o preço continuar oscilando na faixa observada nas últimas semanas.
Abaixo desse suporte, a próxima região técnica destacada fica entre US$ 81.165,95 e US$ 79.705,49. Essa faixa pode atrair compradores durante uma correção dentro de uma tendência de alta, embora não garanta uma recuperação.
A borda superior da faixa de tendência diária está em US$ 79.661,95, aproximadamente US$ 44 abaixo do limite inferior dessa região de preços.
Nos próximos dias, o mercado deverá acompanhar os fluxos diários dos ETFs, os rendimentos dos títulos americanos e as notícias relacionadas ao petróleo e ao transporte marítimo pelo Estreito de Hormuz. A reunião do Federal Reserve marcada para 27 e 28 de outubro também está entre os eventos relevantes, embora uma alta dos juros nessa ocasião seja considerada improvável no cenário descrito pela fonte.
Por enquanto, o gráfico diário ainda mantém elementos favoráveis à tendência de longo prazo, mas a combinação de saídas de capital, liquidações e perda de impulso deixa a recuperação mais vulnerável. A reação do preço em torno de US$ 82.626 será uma referência central para avaliar se a correção continua ou se o mercado consegue preservar a faixa de negociação recente.








