
A computação quântica pode ser um desafio maior para bancos e custodiantes de criptomoedas do que para investidores individuais. Enquanto o debate sobre carteiras pessoais ganha atenção, as instituições enfrentam outro problema: atualizar seus sistemas antes que seja preciso fazer uma migração emergencial.
Desenvolvedores do Bitcoin discutem como e quando a rede deve se preparar para essa tecnologia. Ao mesmo tempo, cresce o apelo para que detentores de criptomoedas entrem em “modo bunker”, movendo fundos antes que avanços em inteligência artificial (IA) ou em computação quântica exponham as chaves das carteiras.
Para bancos e custodiantes, empresas que guardam ativos de clientes, a dificuldade maior pode ser outra. Eles precisam saber se seus sistemas de gestão de chaves, aprovação e auditoria conseguirão lidar com blockchains que adotam padrões diferentes de segurança resistentes à tecnologia quântica.
A Project Eleven, que desenvolve ferramentas para proteger sistemas cripto de futuros ataques de computadores quânticos, e a Quantus, blockchain de prova de trabalho (PoW) voltada à privacidade, pretendem integrar a Quantus à plataforma de custódia institucional da Project Eleven. As empresas informaram o plano ao CoinDesk por e-mail.
O objetivo é liberar, no primeiro trimestre de 2027, um suporte que permita às instituições gerenciar chaves da Quantus e aprovar transações por meio de módulos de segurança de hardware (HSMs), políticas internas e sistemas de auditoria.
A relevância vai além de uma única rede. Bitcoin, Ethereum e outras blockchains dificilmente vão adotar o mesmo esquema de assinatura pós-quântica ou o mesmo cronograma de migração. Um banco que mantém vários ativos pode ter de lidar com várias formas novas de criptografia, sem enfraquecer os controles que definem quem aprova, assina e audita uma transação.
Essa transição pode se tornar um obstáculo à adoção institucional das criptomoedas, afirmou Alex Pruden, cofundador e CEO da Project Eleven, ao CoinDesk via LinkedIn. “As instituições já estão preparando a transição pós-quântica fora das blockchains”, acrescentou.
Christopher Smith, cofundador e CEO da Quantus, acredita que a IA está “acelerando tudo, incluindo tanto o hardware quanto o software quântico”. “O risco de cauda de um ataque quântico surpresa precisa ser considerado em todas as decisões de portfólio. É uma questão de responsabilidade fiduciária”, disse ao CoinDesk.
A preocupação de Smith e de Pruden surge enquanto desenvolvedores trabalham em planos para proteger bitcoin e ether de um futuro computador capaz de quebrar a criptografia de chave pública usada hoje. Pesquisadores e empresas, cada vez mais, tratam os próximos anos como período para preparar caminhos de migração, em vez de esperar por um ataque quântico.
Computação quântica e custódia: a proposta da Strongpoint
A Strongpoint, plataforma de custódia da Project Eleven, foi projetada para separar a camada de controle institucional do esquema de assinatura usado pela blockchain.
Na prática, um custodiante poderia manter seu processo de aprovação, o armazenamento de chaves em hardware e a trilha de auditoria, mesmo que a rede adote outra criptografia.
“A Strongpoint não é um substituto para a adoção de criptografia pós-quântica no nível do protocolo”, disse Pruden. “Mas a arquitetura desacoplada nos permite oferecer suporte a protocolos de forma ágil.”
A Quantus usa o ML-DSA, padrão de assinatura pós-quântica selecionado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST), na geração de chaves e nas assinaturas de transações. Smith afirmou que as instituições devem tratar um avanço surpresa da computação quântica como risco de portfólio, e não apenas como questão de tecnologia.
O prazo para o surgimento de computadores quânticos capazes de atacar bitcoin ou ether segue incerto. Já uma migração da rede exigiria amplo acordo entre desenvolvedores e usuários. Enquanto esse debate acontece, instituições já se preparam para evitar um cenário de migração emergencial no futuro, segundo Pruden.









