
O ranking com as top 200 criptomoedas subiram apenas 5% desde outubro de 2021, apesar de uma mudança na dinâmica de oferta dos tokens. A emissão anual caiu de 26,5% para 3,3%, enquanto as distribuições de valor aos detentores aumentaram cinco vezes.
Os dados foram apresentados pelo analista de mercado Jamie Coutts, que avalia que o mercado segue cerca de 35% abaixo de sua tendência de longo prazo, calculada a partir de dados desde 2017.
A análise considera um índice ponderado por valor de mercado das 200 maiores criptomoedas da Bitformance. Segundo Coutts, a evolução do mercado ficou praticamente estagnada nos últimos cinco anos, mesmo com mudanças relevantes na emissão de tokens e na forma como os projetos devolvem valor aos investidores.
Para o analista, o excesso de oferta foi um dos principais obstáculos. A quantidade de novos tokens entrando em circulação chegou a crescer 26,5% ao ano, diluindo a participação dos detentores existentes enquanto a adoção do setor avançava.
Agora, essa pressão diminuiu. A taxa de crescimento da nova oferta recuou para 3,3% ao ano, enquanto mecanismos de distribuição de valor aumentaram. Coutts descreve essa combinação, junto com uma recuperação da demanda, como o início de uma possível “payback era” das criptomoedas.
Top 200 criptomoedas enfrentam menos pressão de emissão
A redução da oferta ganhou força com o aumento de medidas voltadas aos próprios tokens. Coutts analisou 309 ativos que chegaram a entrar no Top 100 por valor de mercado ao menos uma vez desde 2021.
O número de mudanças na tokenomics consideradas favoráveis aos detentores passou de 10 em 2021 e 2022 para 32 atualmente. Entre elas estão queimas de tokens, recompra de ativos, distribuição de taxas e redução das emissões.
Os buybacks também ganharam escala. Dados da Allium Labs citados pelo Financial Times mostram que projetos de criptomoedas gastaram aproximadamente US$ 638 milhões em recompras entre janeiro e 31 de agosto de 2026.
O valor já supera os US$ 545 milhões registrados em todo 2025 e está muito acima dos US$ 366 mil rastreados em 2024.
Hyperliquid e Pump.fun responderam por quase 90% das recompras de 2026. A Hyperliquid direciona taxas de negociação elegíveis para compras de HYPE por meio de seu Assistance Fund, enquanto a Pump.fun usa receitas de seus produtos para recomprar PUMP.
Outros projetos também avançaram nessa direção. A Jito propôs direcionar 100% de sua participação na receita de JTX para recompras e queimas de JTO até pelo menos o quarto trimestre de 2027.
Em julho, a BitTorrent lançou um programa que usa receitas de seus serviços descentralizados para comprar BTT trimestralmente e retirar os tokens de circulação por meio de queimas permanentes.
Ainda assim, a redução da oferta não resolve tudo. Desbloqueios de tokens continuam adicionando novos ativos ao mercado, enquanto uma demanda mais fraca pode superar o efeito das recompras financiadas por receitas de protocolos.
O impacto de um buyback também depende do tamanho das compras, da receita disponível e do destino dos tokens adquiridos. Eles podem ser queimados ou simplesmente mantidos em tesourarias.
No mercado de altcoins, os sinais recentes são mais favoráveis. A capitalização medida pelo TOTAL2 aumentou mais de US$ 371 bilhões desde junho e chegou a aproximadamente US$ 1,17 trilhão em 27 de setembro.
No mesmo período, 87% das altcoins listadas na Binance acompanhadas pelo analista Darkfost, da CryptoQuant, estavam acima de suas médias móveis de 200 dias. No fim de junho, essa proporção era de apenas 16%.
A capitalização das altcoins também avançou cerca de 45% no período. Em setembro, o open interest agregado de futuros perpétuos de altcoins chegou a superar o do Bitcoin pela primeira vez desde dezembro de 2024.
Mesmo com essa recuperação, as top 200 criptomoedas continuam apenas 5% acima do nível de outubro de 2021, segundo a métrica usada por Coutts. O índice atravessa um período que inclui o pico de 2021, a queda de 2022 e a recuperação posterior.
Demanda continua concentrada no Bitcoin
O Bitcoin ainda representa uma parcela relevante do mercado. Em 5 de outubro, a capitalização total das criptomoedas estava próxima de US$ 2,98 trilhões, enquanto a dominância do Bitcoin girava em torno de 57%.
Segundo dados da CryptoQuant, a demanda aparente por Bitcoin melhorou em aproximadamente 81 mil BTC entre 24 de setembro e 1º de outubro. Ainda assim, a métrica permanecia negativa.
Os fluxos dos ETFs também mostram que a recuperação da demanda não é distribuída de forma uniforme.
Entre 21 e 25 de setembro, os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos receberam US$ 2,39 bilhões. Os produtos de Ether captaram US$ 689,8 milhões, enquanto os ETFs de Solana registraram US$ 188,1 milhões.
Na semana seguinte, o cenário mudou. Os números provisórios de 28 de setembro a 2 de outubro mostram entrada de US$ 82,9 milhões nos fundos de Bitcoin, enquanto os ETFs de Ether tiveram saídas líquidas de US$ 118 milhões.
Os produtos de Solana receberam apenas US$ 800 mil, e os fundos de Hyperliquid registraram US$ 3,4 milhões em entradas.
A leitura de Coutts combina, portanto, dois movimentos que ainda precisam se confirmar em conjunto: uma oferta de tokens menos dilutiva e uma demanda que começa a ganhar força. A melhora da tokenomics pode aliviar uma das principais pressões sobre o ranking das top 200 criptomoedas, mas o desempenho do mercado continuará dependendo da capacidade de atrair compradores.








