O Bitcoin começa outubro em um de seus meses historicamente mais fortes, mas encontra um cenário bem menos confortável do que a sazonalidade sugere, acumulando alta em 10 dos últimos 13 meses de outubro, com ganho mediano de 12,73%, segundo dados da Coinglass. Até agora, porém, a alta no mês é de 1,98%.

Quatro fatores podem pesar sobre o mercado nas próximas semanas: a recuperação ainda lenta da liquidez em stablecoins, a perda de força dos ETFs à vista de Bitcoin, os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã e o prazo de 31 de outubro para os pagamentos da Mt. Gox.

Liquidez das stablecoins ainda não voltou com força

O mercado de stablecoins ainda mostra uma recuperação parcial. Desde maio, a capitalização do setor caiu US$ 14 bilhões. Desde setembro, US$ 4 bilhões foram recuperados, levando o total para cerca de US$ 270 bilhões.

Para o analista Darkfost, o ritmo ainda é insuficiente para sustentar novas máximas do Bitcoin. Em uma análise citada na fonte, ele escreveu: “Even though the trend now appears to be reversing, it remains too timid, and more will be needed to push Bitcoin toward new highs.”

Os grandes investidores já voltaram a movimentar mais capital, mas ainda com cautela. Carteiras que enviaram mais de US$ 1 milhão em stablecoins para a Binance elevaram o volume de entradas em 30 dias para US$ 30,5 bilhões.

Pouco mais de um mês antes, eram US$ 21,7 bilhões, uma alta superior a 40%. Ainda assim, o nível está distante do pico de outubro de 2025, quando esse grupo movimentou mais de US$ 61 bilhões.

Segundo Darkfost, o comportamento desses investidores pode refletir justamente a divisão entre a expectativa de um outubro historicamente positivo e um ambiente marcado por conflito, inflação e alta persistente dos juros dos títulos.

Bitcoin perde parte do apoio dos ETFs

A demanda institucional também perdeu força. Os ETFs à vista de Bitcoin registraram US$ 998,95 milhões em entradas em 21 de setembro, o maior fluxo diário em quase um ano.

Depois disso, as entradas diminuíram por cinco sessões consecutivas, chegando a US$ 31,07 milhões em 28 de setembro. Em 30 de setembro, os fundos registraram saída líquida de US$ 148,69 milhões, encerrando uma sequência de nove sessões de entradas.

Os fluxos voltaram ao terreno positivo em 1º de outubro, com US$ 102,67 milhões em entradas líquidas, segundo dados da SoSoValue. Mesmo assim, entre 28 de setembro e 1º de outubro, os ETFs captaram apenas US$ 51,25 milhões. Na semana anterior, o total havia chegado a US$ 2,39 bilhões.

O volume negociado também diminuiu. O valor diário movimentado pelos 12 fundos caiu de US$ 4,57 bilhões em 21 de setembro para US$ 1,97 bilhão em 1º de outubro.

Guerra no Irã mantém o mercado exposto a novas oscilações

O conflito no Oriente Médio já mostrou capacidade de alterar o preço do Bitcoin rapidamente. Em 2 de outubro, a criptomoeda avançou em direção a US$ 87 mil, mas um ataque a um navio-tanque no Estreito de Ormuz eliminou o ganho.

O petróleo reagiu pouco à notícia, enquanto o mercado cripto apresentou uma resposta muito mais forte. O ataque foi o sexto contra navios-tanque em uma semana.

Ao mesmo tempo, Washington enviou mais duas baterias de mísseis Patriot para proteger instalações de energia na Arábia Saudita e no Catar. Os Estados Unidos também estão deslocando mais navios de guerra e tropas para a região, diante da possibilidade de uma nova entrada em combate.

O Irã afirmou que o Estreito de Ormuz continuará fechado até que os Estados Unidos cumpram sete condições relacionadas a um acordo de junho.

Como o mercado de criptomoedas funciona 24 horas por dia, o Bitcoin pode reagir a notícias geopolíticas durante o fim de semana, antes da reabertura dos mercados tradicionais de ações e petróleo.

Os próximos sinais também podem provocar movimentos em direções opostas. Quando Donald Trump avaliou encerrar a guerra, o Bitcoin chegou a superar US$ 81 mil. Por outro lado, autoridades americanas ouvidas pelo Wall Street Journal disseram que Trump espera retomar os bombardeios contra o Irã depois das eleições legislativas de 3 de novembro.

Mt. Gox coloca outro prazo no radar

O último fator chega no fim do mês. Carteiras identificadas como pertencentes à Mt. Gox mantinham 34.387,51 BTC, avaliados em US$ 2,88 bilhões, de acordo com dados da Arkham.

O prazo atualmente aprovado pelo tribunal determina que o administrador conclua os pagamentos aos credores até 31 de outubro. Em 2025, a extensão do prazo foi anunciada em 27 de outubro, apenas quatro dias antes da data-limite.

O cenário agora pode seguir dois caminhos. Uma nova extensão manteria os bitcoins fora do mercado. Já a distribuição dos ativos poderia colocar BTC nas mãos dos credores, que poderiam decidir vendê-los.

A sazonalidade também não é uma garantia. Em outubro de 2025, o Bitcoin caiu 3,69%, registrando sua primeira perda no mês desde 2018.

Por isso, o comportamento das entradas de stablecoins e dos ETFs pode ser tão relevante quanto a própria estatística histórica de outubro. A questão, neste caso, não é apenas se o mês costuma ser bom para o Bitcoin, mas se haverá capital suficiente chegando ao mercado para sustentar esse padrão enquanto guerra, liquidez e Mt. Gox continuam no radar.

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Luíza Nunes
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Luíza Nunes