O Ethereum já tem data para o próximo grande teste antes de uma possível atualização da rede principal. A Glamsterdam será ativada na rede de testes Sepolia em 6 de outubro de 2026, às 13h53min36s UTC, no que será o ensaio público mais importante antes do lançamento planejado para o quarto trimestre.

A ativação está programada para a época 353.024 e o slot 11.296.768. Como a mudança acontece na Sepolia, usuários que apenas mantêm ETH não precisam tomar nenhuma medida. O prazo é voltado aos operadores da rede de testes.

Os operadores da Sepolia terão uma semana para atualizar os clientes usados nas duas camadas do Ethereum. No lado de execução, a Fundação Ethereum lista Besu 26.9.0, Geth 1.17.6 e Reth 2.7.0. Na camada de consenso, as versões indicadas são Lodestar 1.49.0, Prysm 7.2.0 e Teku 26.9.1.

Quem usa validadores Prysm também precisa revisar a configuração de gas limit, que terá 60 milhões como valor padrão. O aumento faz parte dos ajustes que acompanham a Glamsterdam e exige atenção dos operadores que participam do teste.

Antes da confirmação da data, testes em redes privadas haviam identificado problemas de finalização e uma falha relacionada à precificação. Agora, a ativação da Sepolia já aparece no calendário oficial da Ethereum Foundation.

O que muda no Ethereum com a Glamsterdam

Uma das principais mudanças da Glamsterdam é o ePBS, por meio do EIP-7732. A proposta incorpora ao próprio protocolo uma separação que hoje já existe entre quem propõe os blocos e quem os constrói, mas depende de participantes externos.

Com o ePBS, o propositor publica um compromisso com o construtor, que posteriormente revela o bloco. O protocolo também passa a administrar o pagamento. A ideia é reduzir a dependência desses intermediários e ampliar o tempo disponível para que os validadores verifiquem a execução.

A atualização também introduz listas de acesso em nível de bloco, por meio do EIP-7928. Essas listas indicam as contas e posições de armazenamento utilizadas, permitindo leituras do estado e validação de transações em paralelo.

Outro grupo de mudanças afeta a forma como o Ethereum calcula o custo de execução. Os EIPs 8037 e 8038 ajustam a precificação do gas para refletir melhor o custo de criar e acessar dados na rede.

Na prática, contratos que dependem de limites fixos de gas precisarão ser testados novamente e, em alguns casos, corrigidos. A proposta é ampliar a capacidade de execução da rede sem deixar de considerar os custos associados às operações.

Depois da Sepolia, o próximo passo será a Hoodi, outra rede de testes do Ethereum. Notas dos desenvolvedores mencionam 27 de outubro, mas a data ainda não foi formalmente decidida.

A rede principal continua prevista para o quarto trimestre de 2026, ainda sem uma data definida. Enquanto isso, a Fundação Ethereum também abriu um programa de recompensas por bugs para as especificações da Glamsterdam.

O próximo capítulo já está no radar dos desenvolvedores. A atualização seguinte, chamada Hegotá, é esperada para 2027. Segundo uma estimativa publicada por Vitalik Buterin no domingo, ela pode ser a última bifurcação normal da rede antes de uma mudança de direção envolvendo STARKs recursivos, verificação formal e criptografia pós-quântica.

Por enquanto, o teste de 6 de outubro será o principal ponto de observação. Se a Sepolia finalizar sem novos problemas, o cronograma do Ethereum para a rede principal no quarto trimestre poderá ficar mais claro. Caso contrário, o calendário seguinte, incluindo a Hegotá, também poderá ser afetado.

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Luíza Nunes
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