Consultar sua carteira cripto online pode entregar seu IP de bandeja à Chainalysis

Consultar sua carteira cripto online pode entregar seu IP de bandeja à Chainalysis

Um aviso publicado no X no início de agosto recomendou que os usuários evitem inserir seus próprios endereços em plataformas públicas de consulta. O motivo é que pesquisar sua carteira de Bitcoin na internet pode registrar o endereço IP do visitante, associando a conexão de rede ao interesse em um saldo ou transação específica.

Quando você acessa um site público de blockchain, o servidor recebe detalhes da sua conexão, assim como qualquer outra página da web. Essa prática cria uma camada de metadados fora da rede que pode comprometer a privacidade do usuário, dependendo de como a plataforma armazena e compartilha essas informações.

O caso mais específico relatado envolve o WalletExplorer. A plataforma informa em sua política de privacidade que registra automaticamente o IP e a URL solicitada, compartilhando esses dados internamente com as operações da Chainalysis. Documentos vazados em 2021 mostraram que essas informações já foram usadas para gerar pistas para investigações de autoridades.

Regras de retenção ao pesquisar o endereço de carteiras de Bitcoin

Enquanto o WalletExplorer documenta o compartilhamento direto de dados corporativos, outros exploradores apresentam políticas bem diferentes. O mempool.space, por exemplo, armazena os registros de conexão por dez dias e afirma explicitamente não utilizar rastreadores de terceiros.

O Blockchair mantém os IPs dos visitantes por um a dois dias para análise agregada das consultas mais populares. O Etherscan adota um modelo em que os registros brutos do servidor ficam armazenados por pelo menos cinco dias, enquanto dados pessoais inativos são excluídos em até 24 meses.

Plataformas de grande porte como Blockchain.com e OKLink adotam cronogramas de retenção baseados em finalidades específicas. No entanto, as políticas dessas empresas não detalham o tempo exato de armazenamento de logs, nem explicam de forma clara como associam a consulta de um endereço ao IP do usuário.

Apesar da coleta de metadados, o simples fato de pesquisar carteira de Bitcoin em um site indica apenas interesse, e não a posse dos ativos. Para confirmar quem realmente controla os fundos, as autoridades continuam precisando de evidências independentes, como perícia em dispositivos físicos ou registros obtidos por meio de intimações judiciais.