A aventura falhada da BIP-110 e o fork do Bitcoin que ninguém quis minerar

A aventura falhada da BIP-110 e o fork do Bitcoin que ninguém quis minerar

Uma nova tentativa de alteração nas regras da rede resultou em um fork do Bitcoin que acabou paralisado logo após sua criação. A divisão ocorreu devido à proposta BIP-110, criada para impedir o armazenamento de imagens, textos e dados que não sejam de pagamentos nas transações durante o período de um ano.

Para aprovar mudanças no protocolo do Bitcoin, é necessário o consenso dos mineradores — as empresas que operam grandes infraestruturas computacionais para validar blocos. A BIP-110 exigia o apoio de 55% dos blocos minerados em uma janela de duas semanas, mas registrou apenas 2,6% de adesão no seu pico.

Apesar da rejeição esmagadora, o software da BIP-110 continha um caminho alternativo embutido. Ao atingir o bloco 961.632 no último sábado, os computadores que rodavam essa versão começaram a rejeitar todos os blocos sem a sua marcação, separando-se da rede principal feita pela maioria dos mineradores.

Desde a separação, a nova rede produziu apenas dois blocos e permanece estagnada no bloco 961.633. Enquanto isso, a blockchain original do Bitcoin avançou para o bloco 961.959, abrindo uma diferença de 326 blocos de vantagem em relação ao novo fork do Bitcoin.

O problema da nova rede decorre da mecânica do próprio protocolo. O Bitcoin ajusta sua dificuldade de mineração a cada 2.016 blocos para manter a média de um bloco a cada dez minutos. Como a nova cadeia herdou a mesma dificuldade do Bitcoin, mas praticamente não possui poder computacional, minerar nela custa o mesmo, mas gera uma moeda sem mercado, sem listagem em corretoras e sem compradores.

O futuro incerto do fork do bitcoin e o impacto no mercado

Para que a nova rede consiga reduzir sua dificuldade e voltar a processar blocos de forma viável, ela precisa primeiro minerar 2.016 blocos na taxa atual. Monitores em tempo real estimam que esse ajuste na rede alternativa agora levaria cerca de 6,3 anos, acima dos 350 dias estimados no domingo. Por outro lado, o ajuste de dificuldade da rede principal do Bitcoin deve ocorrer em 12 dias.

“The BIP-110 experiment has effectively collapsed after producing only two blocks and falling behind the main chain” (“O experimento do BIP-110 efetivamente colapsou após produzir apenas dois blocos e ficar para trás na cadeia principal”), disse Nick Ruck, diretor da LVRG Research, ressaltando que o episódio destaca que “underscoring that Bitcoin’s security and progress remain firmly tied to the overwhelming majority of hashpower” (“a segurança e o progresso do Bitcoin permanecem firmemente ligados à esmagadora maioria do hashpower”).

Ruck acrescentou que mudanças contenciosas nas regras sem amplo suporte da comunidade são “destined to stall as minority forks” (“destinadas a estagnar como forks minoritários”), o que deixa “leaving the primary network uninterrupted and intact” (“a rede principal ininterrupta e intacta”).

Por outro lado, nem todos encaram o cenário como definitivo. Em mensagem ao CoinDesk, Himanshu Sahay, cofundador da Arch, disse: “I think it is still too early to draw any firm conclusions from the initial block production” (“Acho que ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas da produção inicial de blocos”), ponderando que “I would be cautious about describing it as a failure at this stage” (“eu seria cauteloso em descrevê-lo como um fracasso nesta fase”).