
A emissora da stablecoin sintética USDe anunciou no dia 25 de setembro o início de uma nova fase para o lastro do seu ativo. A Ethena começou a alocar parte de suas garantias em operações baseadas em ações por meio da Binance.
A estratégia financeira utiliza os bStocks, que são ativos tokenizados representando ações dentro da corretora. A equipe por trás do USDe adquire esses tokens e, simultaneamente, abre posições vendidas (short) em contratos perpétuos de ações cotados em USDT.
O objetivo da estrutura é capturar rendimentos a partir de pagamentos de financiamento (funding) e diferenças de preço no mercado. Esse formato de hedge permite que a empresa compense a exposição direcional ao preço das ações, mantendo o valor da operação protegido contra oscilações de mercado.
A movimentação coloca em prática um plano revelado em agosto pela companhia. Até o momento, a Binance é a única plataforma confirmada para a estratégia, mas a fatia exata de ações que compõem o lastro atual do USDe — cuja oferta total ronda os US$ 4,9 bilhões, ainda não foi divulgada no relatório de garantias.
Riscos de desalavancagem e a proteção do USDe
Para mitigar imprevistos operacionais, as contas institucionais do projeto contam com prioridade reduzida no mecanismo de autodesalavancagem (ADL) da Binance. Esse sistema atua como última barreira da corretora e pode fechar posições rentáveis à força caso os fundos de seguro da exchange não consigam absorver o prejuízo de outros traders.
Perder a posição vendida em um evento repentino de ADL deixaria o USDe vulnerável, quebrando a proteção do ativo mantido como lastro. Por isso, a conta do projeto fica no fim da fila para essas liquidações, desde que cumpra regras como a ativação do modo delta neutro e mantenha um descompasso de exposição sempre inferior a 5%.
A exchange ressalta, no entanto, que o ranqueamento menor no ADL é apenas uma preferência na fila e não garante imunidade absoluta. Além disso, os tokens bStocks usados na operação funcionam como certificados sintéticos, o que significa que não entregam aos detentores a posse direta das ações da empresa listada na bolsa.








