
As ações tokenizadas vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado de finanças descentralizadas (DeFi). Em setembro, esses ativos tradicionais registrados na blockchain alcançaram uma média de 11% do volume negociado em corretoras descentralizadas (DEXs), aproximando-se da fatia de negociação das memecoins.
De acordo com dados de um relatório recente da Binance Research, as memecoins registraram uma participação média de 17% no mesmo período. A diferença de apenas seis pontos percentuais indica uma migração de liquidez, com ativos do mundo real absorvendo parte do fluxo que antes era dominado por tokens especulativos.
O movimento representa uma virada rápida de comportamento. Durante praticamente todo o ano de 2025 e no primeiro semestre de 2026, a participação das ações tokenizadas nas DEXs permaneceu próxima de zero. O cenário começou a mudar no final de julho, quando a categoria chegou a superar brevemente o volume diário das memecoins.
Enquanto a nova classe de ativos cresce, o ritmo das memecoins perdeu intensidade. Após oscilar entre 6% e 53% das negociações ao longo de 2025, a movimentação desse segmento desacelerou até estabilizar na média de 17% em setembro.
O estudo da Binance Research aponta para uma transformação estrutural no ecossistema de criptoativos. “A economia on-chain está evoluindo de suas raízes em ativos nativos de cripto para uma rede financeira mais ampla, onde ativos cripto e tradicionais são negociados lado a lado em trilhos compartilhados e sempre ativos”, destacou o relatório.
O avanço das ações tokenizadas no mercado financeiro on-chain
O avanço nas DEXs ocorre em paralelo à expansão do valor total da categoria. Segundo dados da plataforma RWA.xyz citados no levantamento, a capitalização de mercado global das ações tokenizadas ultrapassou a marca de US$ 3 bilhões na quarta semana de setembro.
Esse desempenho consolida a modalidade como a de crescimento mais rápido entre os ativos do mundo real (RWA) em 2026. A rede BNB Chain lidera esse mercado, abrigando cerca de US$ 1 bilhão em títulos digitais, valor que corresponde a 34% do total em circulação.
A utilização dessas representações digitais em transações também acompanhou a tendência de alta. Somando operações de negociação e transferências na blockchain, o volume transacionado disparou de US$ 6 bilhões no primeiro trimestre para mais de US$ 100 bilhões no terceiro trimestre do ano.
Além das corretoras descentralizadas, o ecossistema DeFi tem absorvido esses títulos em ritmo constante, elevando o volume de depósitos em protocolos nos últimos doze meses. Os dados referentes a outubro devem indicar se as ações tokenizadas conseguirão sustentar o patamar de dois dígitos no volume das DEXs e acirrar a disputa por liquidez com as memecoins.









