
Apenas 4 das 20 maiores empresas de tesouraria de criptomoedas do mundo estão sendo negociadas na bolsa por um valor superior ao das suas reservas em ativos digitais. A conclusão é de um estudo publicado pela DWF Ventures, que comparou o preço das ações dessas companhias públicas com a cotação dos tokens mantidos em seus balanços.
O levantamento aponta que a maioria das companhias opera com uma razão entre valor de mercado e valor líquido dos ativos (mNAV) abaixo de 1. Na prática, isso indica que o mercado acionário está atribuindo às companhias um valor inferior ao de seus próprios saldos em moedas digitais.
A métrica de mNAV utilizada pela análise desconsidera dívidas e ações preferenciais. Por essa razão, os pesquisadores destacam que os investidores precisam examinar esses compromissos financeiros de forma independente antes de interpretar esse desconto como uma pechincha sob o patrimônio total da firma.
Historicamente, comprar e manter os tokens diretamente tem gerado um retorno superior ao do investimento nos papéis corporativos. A variação de preço de uma ação de tesouraria não acompanha o ativo de forma automatizada, diferentemente do que ocorre com fundos negociados em bolsa (ETFs).
O desempenho no mercado acionário depende de múltiplos fatores internos. Entre eles estão o momento exato em que a gestão compra os criptoativos, a forma como capta recursos no mercado, a emissão de novos papéis e a expectativa dos investidores sobre a expansão das reservas.
Como as empresas de tesouraria de criptomoedas financiam suas reservas
O estudo ressalta que a quantidade de tokens por ação é o indicador central para medir o progresso dessas corporações. Quando os papéis negociam com ágio (mNAV acima de 1), a empresa pode vender novas ações e usar o capital para comprar mais ativos virtuais, aumentando o lastro por ação existente.
Quando o indicador cai abaixo de 1, o processo se torna mais complexo, pois vender ações comuns com desconto pode diluir os acionistas atuais. Para contornar o entrave, algumas companhias usam dívidas conversíveis ou ações preferenciais, exigindo acompanhamento atento quanto aos prazos e dividendos prometidos.
As abordagens operacionais variam no setor. A Strategy, por exemplo, utilizou dívidas conversíveis e recentemente recomprou US$ 176,3 milhões em ações preferenciais STRC. Já a Strive captou recursos via emissão de ações preferenciais SATA para adquirir 469 Bitcoins por US$ 36,6 milhões em meados de setembro.
Outra alternativa para gerar valor ao acionista é a busca por receitas operacionais diretas. A Bit Digital diversificou suas fontes de renda com serviços de infraestrutura em nuvem através da White Fiber, enquanto a BitMine gera rendimentos com staking de mais de 5,06 milhões de Ether. Firmas como a CYPH mantêm frotas de mineração de Zcash, e a SharpLink anunciou aportes em stETH e fundos de rendimento onchain.
Anteriormente, o mercado pagava um prêmio pelas ações porque investidores institucionais encontravam facilidade para comprar títulos listados na bolsa tradicional. Com o avanço de fundos regulados e novas opções de custódia direta, o público investidor passou a avaliar com mais rigor a capacidade dos operadores e os custos de financiamento das empresas de tesouraria de criptomoedas.









