A empresa de segurança blockchain AmericanFortress apresentou um esquema criptográfico que promete adicionar proteção pós-quântica sem exigir que os usuários movam seus fundos, troquem chaves privadas ou alterem seus endereços.
Segundo a companhia, a solução preserva a estrutura das carteiras de criptomoedas atuais e pode ser aplicada a redes como Bitcoin, Ethereum, Solana e outros blockchains baseados em criptografia de curva elíptica.
A proposta foi publicada no repositório técnico Cryptography ePrint Archive, mas ainda não passou pelo processo de revisão por pares.
Em vez de substituir o sistema criptográfico usado atualmente pelas carteiras, o modelo utiliza provas de conhecimento zero (zero-knowledge proofs) geradas a partir da frase-semente original da carteira. Os nós participantes verificariam essas provas enquanto os usuários continuariam assinando transações com suas chaves existentes.
Outras empresas também buscam proteger carteiras de criptomoedas
De acordo com a AmericanFortress, essa abordagem permite adicionar uma camada de segurança pós-quântica sem modificar os endereços das carteiras nem exigir a migração dos ativos.
A empresa também citou uma análise recente da Bloomberg que estima que até US$ 470 bilhões em Bitcoin podem se tornar vulneráveis caso computadores quânticos suficientemente poderosos sejam desenvolvidos no futuro.
A AmericanFortress não é a única empresa desenvolvendo soluções para fortalecer a segurança das carteiras de criptomoedas diante da computação quântica.
Na terça-feira, a Freedom Factory anunciou a PQ1, descrita como uma carteira física com proteção pós-quântica para Ethereum e outras redes compatíveis com a Ethereum Virtual Machine (EVM).
Diferentemente da proposta baseada em software da AmericanFortress, a PQ1 utiliza assinaturas criptográficas pós-quânticas geradas em hardware dedicado. Segundo a empresa, a carteira combina assinaturas SPHINCS+C10 com contas inteligentes baseadas no padrão ERC-4337 para proteger as transações.
O interesse por soluções desse tipo cresce porque computadores quânticos suficientemente avançados poderão, no futuro, comprometer a criptografia de curva elíptica utilizada pelo Bitcoin, Ethereum e diversas outras redes. Embora essa tecnologia ainda não esteja disponível, projetos do setor já estudam estratégias de adaptação.
Nos últimos meses, um consórcio liderado pela Strategy anunciou um fundo de US$ 15 milhões para pesquisas sobre segurança quântica do Bitcoin. Já a Ethereum Foundation divulgou uma proposta para migrar contas para criptografia resistente à computação quântica, enquanto a Algorand revelou planos para introduzir contas resistentes a ataques quânticos até 2027.





