Uma investigação do jornal Nikkei revelou que um grupo chinês ligado ao comércio ilegal de precursores químicos usados na produção de fentanil também teria participado de um esquema de fraude com criptomoedas usando uma estrutura baseada no Japão.
O caso envolve o token falso Zksync.jp, criado para se passar por um serviço legítimo de pagamentos e induzir usuários a transferirem recursos. Segundo a apuração, as perdas somadas chegaram a centenas de milhões de ienes, ultrapassando US$ 1 milhão.
No centro da investigação está a empresa chinesa Hubei Amarvel Biotech, sediada em Wuhan. Dois executivos da companhia foram condenados em fevereiro de 2025, em um tribunal federal de Manhattan, por conspiração para importar precursores de fentanil aos Estados Unidos.
As autoridades e investigadores também identificaram uma ligação entre a Amarvel e a Firsky, empresa registrada em Nagoya, no Japão, que teria funcionado como uma base operacional para atividades logísticas e financeiras do grupo. A companhia foi encerrada em julho de 2024.
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Token falso Zksync.jp ampliou esquema com criptomoedas
Utilizando endereços de carteiras digitais apresentados em documentos judiciais dos EUA, o Nikkei rastreou movimentações de criptomoedas associadas à rede. As análises apontaram transações consideradas suspeitas já a partir de outubro de 2022, pouco depois da mudança das operações para Nagoya.
De acordo com a investigação, o token Zksync.jp foi lançado em 2023 e utilizava um nome muito semelhante ao da ZKsync, rede legítima de Layer 2 do Ethereum desenvolvida pela Matter Labs. Não há indícios de envolvimento da plataforma original com o esquema.
O uso do domínio “.jp” chamou a atenção dos investigadores. Esse tipo de registro normalmente exige vínculo com endereço no Japão, o que pode aumentar a credibilidade da operação perante investidores internacionais. O registrante do domínio do token Zksync.jp seria um cidadão chinês residente em Hong Kong com supostas conexões financeiras com a Amarvel.
A empresa de análise blockchain Chainalysis afirmou ao Nikkei que esse tipo de estrutura é frequentemente utilizado em operações de lavagem de dinheiro, justamente por explorar a confiança associada a determinadas jurisdições.
A apuração também encontrou mais de 120 transações envolvendo entidades sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), dos Estados Unidos. Os fluxos financeiros estariam relacionados ao Wuhan Yuancheng Group, organização apontada pelas autoridades americanas como parte de uma rede internacional ligada ao tráfico de drogas.
Especialistas da TRM Labs destacaram que a proximidade geográfica do Japão com a China, combinada com um sistema financeiro aberto e forte atividade comercial internacional, torna o país um ambiente atrativo para ocultar recursos ilícitos por meio de criptomoedas.
O caso surge em um momento em que o Japão busca ampliar sua participação no mercado de ativos digitais. Em abril, o governo japonês aprovou uma proposta para reclassificar criptomoedas como produtos financeiros, enquanto reguladores avaliam a possível aprovação dos primeiros ETFs de criptomoedas do país até 2028.
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