O mercado de criptomoedas enfrenta seu primeiro grande teste de estresse em uma nova modalidade financeira. A recente queda das ações preferenciais STRC, emitidas pela Strategy, levou analistas a questionarem a viabilidade do crédito digital com lastro em Bitcoin.
Esses ativos funcionam como títulos de renda fixa estruturados por empresas que possuem grandes reservas de BTC. O objetivo principal do crédito digital é captar recursos para comprar mais criptomoedas, esperando que a valorização do ativo supere os dividendos devidos aos investidores.
No entanto, o papel STRC quebrou a paridade de US$ 100 e atingiu a mínima de US$ 82 nesta semana. Com a desvalorização de 18%, a Strategy suspendeu a emissão de novas ações, interrompendo temporariamente o fluxo de compra de Bitcoin que alimentava o modelo.
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Como a rede Bitcoin reage ao estresse do crédito digital
O recuo acontece em um momento de aversão global ao risco, com o valor total alocado em finanças descentralizadas (DeFi) recuando de US$ 170 bilhões em outubro de 2025 para US$ 72 bilhões atuais. Além disso, a empresa vendeu uma pequena quantidade de BTC em maio para pagar proventos, gerando desconfiança.
Apesar do forte pessimismo dos críticos sobre o futuro do crédito digital, os dados na blockchain mostram um cenário completamente diferente para a principal criptomoeda do mercado. O índice de atividade de rede da CryptoQuant opera acima da média desde março de 2026.
A quantidade de transações diárias está perto das máximas históricas, impulsionada por transferências menores que 0,01 BTC. Esse movimento decorre do uso de protocolos como Runes e Ordinals, que utilizam o campo OP_RETURN para anexar dados à rede, sobrecarregando a mempool.
Enquanto o Bitcoin é negociado na faixa de US$ 64.083, analistas apontam que a empresa possui caixa para honrar dividendos por sete meses e reservas bilionárias. A divergência entre o preço e a alta utilização da rede sugere que o ecossistema mantém o fôlego.
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