O volume total de perdas com ataques a criptomoedas despencou 46,8% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, somando US$ 1,32 bilhão. No entanto, empresas de segurança como a CertiK alertam que esse recuo é enganoso.
Segundo o novo relatório da empresa, os criminosos estão se tornando muito mais refinados e destrutivos. A aparente melhora nos números gerais acontece apenas porque o primeiro semestre do ano passado foi inflacionado pelo histórico roubo de US$ 1,4 bilhão da exchange Bybit.
Olhando de perto, o cenário é desafiador: no segundo trimestre de 2026, os prejuízos saltaram 59% em relação aos três meses anteriores, atingindo US$ 807,5 milhões. Desse total, mais de 70% veio de apenas duas grandes invasões: os protocolos KelpDAO e Drift Protocol.
Investigações apontam que esses dois incidentes específicos foram orquestrados por grupos cibernéticos patrocinados pelo governo da Coreia do Norte. O país asiático já levou mais de US$ 6 bilhões do setor desde 2017, segundo estimativas da TRM Labs divulgadas em abril.
A situação mobilizou autoridades dos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, que se reuniram recentemente para traçar planos contra o financiamento ilícito norte-coreano. O grande temor internacional é o uso de inteligência artificial por esses agentes para acelerar e sofisticar os ataques a criptomoedas.
Como se proteger do avanço dos ataques a criptomoedas
Os dados da TRM Labs reforçam que o ecossistema cripto continua sob forte pressão. Na verdade, o número de ataques a criptomoedas registrados no semestre mais que dobrou, saltando de 83 para 207 eventos — o maior patamar já visto em um intervalo de seis meses, sendo 60% focado em falhas de contratos inteligentes.
Enquanto o phishing foi a principal dor de cabeça no início do ano (causando US$ 508,2 milhões em prejuízos), a quebra de segurança de carteiras digitais liderou as perdas no segundo trimestre. Para a CertiK, a gestão de chaves privadas e carteiras multissig continua sendo a vulnerabilidade mais explorada.
“Uma leitura apressada de ‘perdas caindo quase 50%’ sugeriria um ecossistema significativamente mais seguro. Os dados não sustentam essa conclusão”, explicou a CertiK à Cointelegraph. A recomendação dos especialistas para mitigar riscos é isolar chaves privadas offline e descentralizar geograficamente os assinantes de transações institucionais.





