Analistas de Wall Street demonstram cautela sobre as receitas futuras da stablecoin USDC. Relatórios recentes do JPMorgan e do banco Mizuho indicam que a Circle, empresa emissora do ativo, enfrenta pressão devido à nova concorrência no mercado e mudanças em seus acordos de parceria.
O Mizuho rebaixou a recomendação das ações da Circle, reduzindo o preço-alvo de US$ 85 para US$ 50. O banco aponta o lançamento da Open USD (OUSD) como o principal desafio. Esta nova moeda, apoiada por empresas como Visa, BlackRock e Coinbase, repassa quase todo o rendimento de suas reservas para os distribuidores.
Atualmente, a Circle retém cerca de 38% da receita de reserva da stablecoin USDC, dividindo o restante com corretoras. Analistas avaliam que o modelo de distribuição da OUSD pode forçar a emissora a ceder uma fatia maior de seus lucros para conseguir competir e manter seus parceiros atuais.
O JPMorgan também reduziu as estimativas de ganhos para a Circle e para a Coinbase. A instituição focou na análise do acordo recente com a corretora descentralizada Hyperliquid. A plataforma detém hoje cerca de US$ 6 bilhões em USDC, o equivalente a 8% do fornecimento em circulação no mercado.
O dilema entre parceiros na distribuição da stablecoin USDC
Sob as novas regras do acordo, a Coinbase recolhe a renda gerada pelas reservas na Hyperliquid e repassa 90% para a própria corretora descentralizada. Antes dessa mudança, a Coinbase dividia essa receita de forma quase igualitária com a emissora da stablecoin USDC.
O JPMorgan classifica esse cenário como um “dilema do prisioneiro”. Na visão do banco, a nova estrutura de incentivos faz com que a Circle e a Coinbase compitam entre si, oferecendo termos de divisão de receita cada vez mais atraentes para reter os parceiros de distribuição de tokens.
Apesar das análises mais conservadoras, outras instituições financeiras mantêm perspectivas positivas. A Bernstein reiterou seu preço-alvo de US$ 190 para a Circle, argumentando que a liquidez e o histórico regulatório da stablecoin USDC formam uma vantagem difícil de ser replicada por consórcios iniciantes.



