A Strategy revelou detalhes de sua nova engenharia financeira para continuar a comprar Bitcoin no longo prazo. Mesmo após realizar suas primeiras vendas relevantes sob um novo modelo de gestão, a empresa reforçou que o plano de acúmulo segue inalterado.
A decisão marca uma evolução para a companhia. Se antes o foco de Michael Saylor era comprar Bitcoin sob uma lógica de acumulação contínua, a gestão atual de Phong Le busca criar uma estrutura sólida para proteger a empresa durante mercados de baixa.
Até o dia 12 de julho, a Strategy acumulava 843.775 BTC, adquiridos por um total de US$ 63,69 bilhões, segundo dados oficiais enviados à SEC. Na semana anterior ao relatório, a empresa pausou as compras e optou por vender 4,8 milhões de ações MSTR para levantar cerca de US$ 466,7 milhões.
Essa pausa operacional ocorreu logo após a venda de 3.588 BTC por US$ 216 milhões, realizada entre o final de junho e o início de julho. Os recursos foram direcionados para o pagamento de dividendos de ações preferenciais e recomposição de caixa, e não por uma visão pessimista sobre o mercado.
Como a reserva bilionária protege o plano da Strategy
Em entrevista recente, o CEO Phong Le destacou que o objetivo é manter a Strategy como a maior compradora do ativo digital no mundo. O executivo também prevê novas emissões de ações para comprar Bitcoin assim que as condições macroeconômicas se mostrarem mais favoráveis. “Nós não vamos a lugar nenhum”, afirmou Le.
A nova política de crédito digital da Strategy estabelece que a reserva de US$ 3 bilhões em dinheiro deve garantir pelo menos 12 meses de cobertura para dividendos e juros de dívidas. Com despesas anuais estimadas em US$ 1,76 bilhão, o caixa atual suporta cerca de 20 meses de obrigações.
Esse colchão de liquidez muda o cenário durante um mercado de baixa. Com a retaguarda protegida, a Strategy evita ser forçada a emitir ações ordinárias a preços desvantajosos. Le explicou que o risco de endividamento só seria reavaliado de forma crítica se o preço do ativo caísse para a faixa entre US$ 8.000 e US$ 10.000.
O plano corporativo também visa fazer com que as ações MSTR superem o desempenho da própria criptomoeda. Para que isso aconteça, a empresa emite papéis acima do valor patrimonial líquido e utiliza os recursos arrecadados para aumentar a quantidade de Bitcoin proporcional a cada ação em circulação.
Por fim, a liderança da empresa descartou a ideia de que suas movimentações individuais determinam os preços globais. Detendo cerca de 4% do fornecimento total da moeda, a Strategy se posiciona como uma participante relevante em um mercado que movimenta de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões diariamente.





