A Starknet, rede de segunda camada do Ethereum, subiu cerca de 20% em 24 horas após anunciar que considera se tornar uma blockchain independente. A mudança permitiria ao projeto controlar suas próprias atualizações de segurança e buscar resistência à computação quântica até 2027.

“Estamos considerando ativamente nos tornar uma L1”, publicou o projeto no X. A sigla L1 se refere a uma blockchain de primeira camada, capaz de validar e proteger as próprias transações, como Bitcoin e Ethereum.

O token STRK era negociado perto de US$ 0,073 na sexta-feira, mais que o dobro dos aproximadamente US$ 0,03 registrados em abril, quando a StarkWare, empresa responsável pelo desenvolvimento da Starknet, reduziu sua equipe para priorizar a geração de receita.

A possível mudança de arquitetura está ligada à preocupação com computadores quânticos, que poderão, no futuro, ameaçar sistemas criptográficos usados para proteger ativos digitais.

Por que a Starknet quer virar uma blockchain independente?

Atualmente, a Starknet funciona como uma rede de segunda camada, ou L2, construída sobre o Ethereum. Ela agrupa transações e utiliza a blockchain principal como parte de sua estrutura de segurança.

Essa dependência também limita a capacidade da Starknet de adotar mudanças de segurança de forma independente. Segundo Eli Ben-Sasson, CEO da StarkWare, a rede só pode ser tão resistente a ameaças quânticas quanto sua camada-base.

O executivo afirmou que o Ethereum precisa avançar rapidamente na adaptação de sua infraestrutura. Caso isso não aconteça no ritmo necessário, transformar a Starknet em uma L1 está entre as alternativas consideradas.

Ben-Sasson também relacionou a preocupação aos avanços da inteligência artificial na matemática e defendeu uma postura de preparação intensiva, descrita por ele como “bunker mode”.

A resistência quântica é um dos principais argumentos apresentados pelo projeto. As provas criptográficas da Starknet utilizam funções hash, consideradas resistentes a ataques quânticos, embora alguns componentes baseados em criptografia de curvas elípticas ainda precisem ser substituídos.

Segundo um roteiro publicado em junho, a Starknet pretende concluir essas adaptações e alcançar resistência quântica até 2027.

O Ethereum, por sua vez, tem como meta implementar a infraestrutura pós-quântica central por volta de 2029, de acordo com o cronograma citado pela publicação de referência. A Ethereum Foundation também formou uma equipe dedicada ao tema em janeiro.

Starknet pode ganhar autonomia, mas também assume mais responsabilidades

Se passar a operar como uma L1, a Starknet terá maior controle sobre suas atualizações de segurança, sem precisar esperar pelas decisões do Ethereum. Em contrapartida, deixará de depender da proteção oferecida pela blockchain principal e terá de assumir diretamente a responsabilidade pela própria segurança e pelo desenvolvimento da rede.

Essa mudança também levanta questões sobre a transição dos aplicativos e usuários que já operam na Starknet. O anúncio não detalhou como essa migração aconteceria.

A proposta surge em um momento de incerteza sobre o calendário da ameaça quântica. Nenhum computador quântico é capaz de quebrar esses sistemas atualmente, e especialistas divergem sobre quando isso poderá se tornar possível.

A Starknet estabelece 2027 como seu objetivo para alcançar resistência quântica. O Ethereum trabalha com um horizonte próximo de 2029, enquanto, segundo Ben-Sasson, o Bitcoin ainda não assumiu um compromisso semelhante.

A iniciativa permanece em avaliação. Caso avance, a Starknet poderá trocar parte da segurança compartilhada com o Ethereum por maior autonomia para implementar suas próprias defesas contra futuras ameaças criptográficas.

Compartilhe esta notícia
Luíza Nunes
Escrito por

Luíza Nunes