A Starknet está avaliando deixar de operar como uma solução de segunda camada do Ethereum para se tornar uma blockchain independente de camada 1. A mudança teria como objetivo acelerar a adaptação da rede a ameaças quânticas, com a meta de alcançar resistência completa até 2027.

A equipe apresentou a possibilidade como um caminho para tornar a Starknet “the first fully quantum-resistant network” — a primeira rede totalmente resistente a ataques quânticos. Por enquanto, porém, a ideia ainda está em análise e não foi formalizada em uma proposta ou votação.

O debate ganhou força depois que Eli Ben-Sasson, CEO da StarkWare, questionou seus seguidores sobre transformar a Starknet em uma L1 para obter “post-quantum agility”, ou agilidade para se adaptar a ameaças pós-quânticas. A discussão está relacionada à apresentação que ele fez na Token2049.

Por que a Starknet considera deixar de ser uma camada 2?

Como solução de segunda camada, a Starknet depende da segurança do Ethereum. Ben-Sasson argumenta que essa dependência pode limitar a velocidade com que a rede implementa mudanças necessárias para se proteger contra possíveis ameaças à criptografia.

Ao se tornar uma L1, a Starknet poderia conduzir suas próprias migrações de segurança, sem precisar esperar pelas atualizações do Ethereum. Ben-Sasson afirma que a rede Ethereum trabalha com o objetivo de alcançar resistência quântica completa até o fim de 2029, enquanto o Bitcoin ainda não tem uma data definida para isso.

O executivo também relacionou os avanços da computação quântica à rápida evolução da inteligência artificial. Para ele, a combinação dessas tecnologias exige o chamado “bunker mode”, expressão que ganhou espaço no setor durante as discussões sobre como proteger redes e carteiras contra possíveis ataques futuros.

A proposta também evidencia uma limitação prática da estratégia atual. No roteiro pós-quântico publicado pela StarkWare em junho, componentes que dependem do Ethereum, como a comunicação entre bridges e os dados armazenados em blobs, continuavam condicionados às próprias atualizações da rede principal.

Por enquanto, a Starknet não anunciou uma decisão definitiva sobre a mudança para L1. A possibilidade está sendo considerada como uma forma de obter mais autonomia para atualizar sua segurança, mas o caminho ainda depende de uma definição formal.

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Luíza Nunes
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