A inteligência artificial pode descobrir falhas de segurança ocultas no software do XRP Ledger muito antes que a criptografia tradicional seja quebrada. O alerta foi feito por Emin Gün Sirer, fundador da Avalanche, que defende que a comunidade de criptomoedas deveria dar mais atenção aos erros de código atuais do que a ameaças cibernéticas futuras.

De acordo com o executivo, modelos avançados de IA têm a capacidade de encontrar brechas em softwares de blockchain, bibliotecas e carteiras digitais que passaram despercebidas por desenvolvedores humanos. Com isso, cibercriminosos poderiam explorar esses pontos vulneráveis no XRP Ledger para desviar bilhões de dólares antes mesmo que a tecnologia consiga afetar algoritmos como o ECDSA.

A declaração gerou debate entre grandes nomes do setor sobre a real prioridade da segurança digital. Enquanto Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, e o pesquisador Justin Drake demonstram preocupação com o avanço da IA contra algoritmos criptográficos, Charles Hoskinson, fundador da Cardano, classificou essas previsões como especulativas e sem embasamento matemático.

Riscos no código do XRP Ledger e atualizações recentes

Apesar da advertência, Sirer não apontou nenhuma vulnerabilidade específica não corrigida no XRP Ledger, tampouco demonstrou um ataque prático à rede. Seu argumento funciona como um aviso preventivo sobre a qualidade dos códigos atuais, em vez da documentação de uma invasão em andamento.

O debate ganha relevância em um momento em que a infraestrutura do XRP Ledger passa por revisões severas. Recentemente, no dia 25 de setembro, os desenvolvedores da rede lançaram uma atualização de emergência para aplicar correções de segurança, disponibilizando os ajustes iniciais sem o código-fonte aberto, com a promessa de publicar o material e um relatório técnico posteriormente.

O episódio reflete o histórico de atritos na indústria, lembrando que o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, já havia criticado Sirer anteriormente devido a declarações sobre a adoção da tecnologia por instituições bancárias. Agora, o foco volta a ser a proteção estrutural dos sistemas operacionais no ecossistema de criptoativos.

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Luíza Nunes
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