O mercado de criptomoedas enfrenta um momento crítico após o hack monumental da Binance que resultou na perda estimada de US$ 6,4 bilhões. O incidente superou o recorde anterior do caso Bybit em 2025 e se tornou o maior roubo da história do mercado cripto.

A invasão ocorreu na última quinta-feira, logo após o fechamento dos mercados financeiros norte-americanos. Os invasores transferiram rapidamente os fundos das carteiras quentes da plataforma para cerca de dez blockchains diferentes em um intervalo de vinte minutos.

Análises iniciais de empresas especializadas, como Chainalysis e TRM Labs, apontam para um compromisso interno de TI, envolvendo o notebook comprometido de um engenheiro DevOps. A exchange afirmou que os invasores usaram um mecanismo de autodestruição, mas descartou vazamento de chaves privadas.

Na rede Ethereum, os invasores exploraram o recurso EIP-7702, introduzido em 2025, usando cinquenta autorizações pré-assinadas para burlar controles padrão. O CEO Richard Teng reconheceu que a delegação desrespeitou os procedimentos normais de aprovação, embora analistas apontem falhas na infraestrutura de assinaturas da plataforma.

As autoridades e empresas de análise atribuem o ataque ao grupo TraderTraitor, associado ao Estado norte-coreano. Os hackers converteram cerca de 84% dos éteres roubados em bitcoins utilizando a rede Thorchain, elevando os ganhos em criptomoedas atribuídos à Coreia do Norte em 2026 para mais de um bilhão de dólares.

Recuperação de fundos e repercussões globais após o hack da Binance

Para proteger os usuários, a liderança da corretora garantiu que cobrirá integralmente as perdas com seus próprios recursos e com o fundo de segurança, reservando mais de US$ 6,34 bilhões. O CEO Richard Teng afirmou que os fundos dos clientes nunca foram tocados, enquanto os saques permanecem temporariamente suspensos para auditorias.

Emissores de stablecoins agiram rapidamente para conter o avanço do hack da Binance: a Tether congelou mais de US$ 1,5 bilhão e a Circle bloqueou cerca de US$ 823 milhões em USDC. No entanto, os criminosos ainda mantêm sob controle mais de US$ 3,3 bilhões em ativos variados espalhados por diferentes redes.

O impacto nos mercados financeiros foi moderado, com o Bitcoin registrando queda de aproximadamente 4% e cotado em torno de US$ 76.400. Analistas atribuem essa resiliência à maior maturidade do mercado atual, impulsionada por ETFs à vista de Bitcoin e pela presença institucional sólida.

Investigações internacionais já contam com a colaboração do FBI e de agências de inteligência norte-americanas, enquanto o caso também reabre discussões sobre a regulamentação de plataformas offshore defendida por autoridades regulatórias globais.

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Luíza Nunes
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