BlackRock quer dominar as reservas de stablecoins com novos fundos tokenizados

BlackRock quer dominar as reservas de stablecoins com novos fundos tokenizados

A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, anunciou a expansão da sua plataforma de finanças digitais com novos fundos tokenizados voltados ao mercado monetário. Os produtos foram submetidos à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) em maio e chegam agora aos investidores institucionais.

As novidades incluem o BlackRock Select Treasury Based Liquidity Fund (BSTBL), estruturado na rede Ethereum, e o BlackRock Daily Reinvestment Stablecoin Reserve Vehicle (BRSRV). Este último oferece reinvestimento diário de dividendos e acesso em múltiplas blockchains, utilizando a infraestrutura da empresa Securitize.

O objetivo principal dos novos fundos tokenizados da BlackRock é atuar como ativos de reserva qualificados para emissores de stablecoins de pagamento nos Estados Unidos. A estruturação dos produtos busca atender diretamente às exigências estabelecidas pelo GENIUS Act.

O avanço da BlackRock no setor de stablecoins

Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, o diretor financeiro da empresa, Martin Small, detalhou as ambições da gestora no segmento digital. “Já administramos US$ 60 bilhões em reservas para a Circle, representando cerca de um quarto do mercado de stablecoins de US$ 300 bilhões. Vemos muito crescimento pela frente em stablecoins e queremos ser o gestor de reservas preferencial”, afirmou Small.

A nova fase consolida o desempenho positivo do BUIDL, o primeiro dos fundos tokenizados da BlackRock lançado em 2024, que hoje soma aproximadamente US$ 2,5 bilhões em ativos. O produto é cada vez mais utilizado no mercado de criptomoedas como garantia para empréstimos e negociações alavancadas.

O movimento reflete o poder institucional da gestora. Atualmente, o grupo de gestão de caixa da BlackRock supervisiona quase US$ 1,073 trilhão, enquanto o total de fundos do mercado monetário dos EUA ultrapassa os US$ 8,4 trilhões.

Jon Steel, chefe global de produtos da divisão de gestão de caixa da gestora, reforçou a utilidade prática da nova oferta. “À medida que a demanda cresce por ativos de reserva de alta qualidade para apoiar stablecoins e outros produtos financeiros tokenizados, esses fundos oferecem aos clientes escolhas adicionais sobre como acessar e usar soluções de investimento em fundos do mercado monetário em mercados tradicionais e digitais”, declarou.

A expansão ocorre em um cenário de forte adoção da tecnologia blockchain em Wall Street. O mercado de ativos do mundo real (RWA) saltou mais de 200% no último ano, superando a marca de US$ 30 bilhões segundo a plataforma rwa.xyz, e o banco Citi projeta que o setor de títulos tokenizados alcance US$ 5,5 trilhões até 2030.