
Uma vulnerabilidade de 11 anos no XRP Ledger poderia ter permitido que um atacante criasse novos tokens XRP do zero. A falha ameaçava diretamente a regra fundamental da rede, que determina que o limite total de oferta é fixado em 100 bilhões de moedas desde a sua criação, em 2012.
Apesar da gravidade teórica, nenhum dano foi causado à rede e nenhuma nova moeda foi gerada. A RippleX já aplicou a correção necessária e cerca de 99,986 bilhões de XRP seguem em circulação.
A falha foi descoberta no dia 22 de setembro pelo pesquisador Cayden Liao e pela Veria AI, sendo reportada de forma interna. Trata-se de um ecossistema de camada 1 descentralizado e de código aberto, cujo ativo nativo é projetado para evitar qualquer tipo de emissão adicional.
Segundo a XRP Ledger Foundation, o problema existia desde 2015 e envolveu um erro técnico conhecido como “overflow de inteiro”. Quando o valor de uma transação ultrapassava o limite numérico máximo do sistema, a contagem reiniciava do zero, de maneira similar ao marcador de um jogo antigo de arcade.
Na prática, isso permitia burlar as verificações padrão de fundos. Um invasor poderia criar contas falsas para vender quantias astronômicas de tokens e depois comprá-las de uma só vez. A rede registraria a transação cobrando apenas frações de centavo do comprador, enquanto creditaria bilhões de moedas válidas ao vendedor, gerando a diferença a partir do nada.
Por que o erro no XRP Ledger não foi detectado antes?
A razão para o problema ter passado despercebido por mais de uma década foi o volume extremo exigido para ativá-lo. As operações diárias de usuários comuns nunca chegaram perto desse nível. Segundo a fundação, seriam necessárias centenas de transações estruturadas de forma deliberada para disparar o gatilho.
Além disso, os mecanismos internos de segurança não identificaram a falha. A verificação pós-transação utilizava a mesma contagem distorcida e não detectava irregularidades, enquanto os limites individuais de recebimento por conta eram ignorados porque o ataque distribuiria os valores por centenas de carteiras.
Para evitar riscos futuros, a fundação informou que adotará testes adversariais com inteligência artificial, verificação formal e o fortalecimento do seu programa de recompensas por bugs.








