
Um estudo recente da empresa de computação quântica Alice & Bob revelou que o poder computacional necessário para quebrar a segurança da rede Bitcoin pode ser significativamente menor do que se imaginava.
A pesquisa aponta que um computador quântico tolerante a falhas, equipado com cerca de 29.588 qubits físicos, conseguiria resolver o problema de criptografia de curva elíptica de 256 bits em apenas 61,8 minutos. Essa matemática é justamente a base das assinaturas digitais que autorizam movimentações na rede.
Além disso, os cientistas projetam que um computador quântico com 22.593 qubits físicos levaria cerca de 3,14 dias para quebrar a criptografia RSA-2048. O número representa uma queda drástica frente às estimativas de 2019, que projetavam a necessidade de 20 milhões de qubits físicos.
Como o avanço da computação quântica afeta a segurança do Bitcoin
Os cálculos da Alice & Bob utilizam uma tecnologia de supercondução chamada “cat qubits”, focada em diminuir erros no hardware. O método combina códigos de correção eficientes com melhorias nas operações matemáticas do algoritmo de Shor, capaz de superar sistemas de chave pública.
É importante destacar que os dados são estimativas teóricas de recursos e não provam que já existem máquinas capazes de realizar os ataques. Construir um computador quântico com essa capacidade prática ainda permanece como um enorme desafio de engenharia.
No ecossistema do Bitcoin, uma máquina suficientemente potente poderia derivar chaves privadas a partir de chaves públicas expostas. Isso permitiria que invasores criassem assinaturas falsas para movimentar saldos de terceiros.
Apesar disso, o tempo estimado de ataque de uma hora supera o intervalo médio de confirmação dos blocos do Bitcoin, que é de 10 minutos. Isso limita a ameaça imediata sobre transações comuns em processamento, mas moedas vinculadas a chaves públicas já expostas enfrentam um risco maior.
A redução nos requisitos ocorre em um momento de aceleração no setor. A Google Quantum AI demonstrou avanços em confiabilidade e indicou que uma máquina avançada poderia comprometer assinaturas do Bitcoin usando menos de 500.000 qubits físicos em cerca de nove minutos.
Paralelamente, a Quantinuum anunciou que seu sistema Helios atingiu 99,9995% de fidelidade lógica, reforçando o objetivo de entregar um computador quântico comercial tolerante a falhas até 2029.
Diante do cenário, a Alice & Bob projeta que a evolução do hardware e o declínio das exigências computacionais podem convergir no início da década de 2030. Estima-se que cerca de 6,9 milhões de BTC corram risco potencial por estarem associados a chaves públicas previamente reveladas.
Substituir a tecnologia de assinatura do Bitcoin exigirá revisões técnicas complexas, além de solucionar desafios como o aumento do tamanho dos dados das transações e a proteção de moedas em endereços inativos.









