O ano de 2026 já registra o encerramento ou a falência de mais de 100 projetos cripto. O dado, levantado pela RootData e divulgado pela CoinDesk, reflete uma mudança estrutural após um longo período de financiamentos abundantes no setor.
A queda nos preços das altcoins e a retração do capital de risco deixaram expostos negócios que não possuíam modelos financeiros sustentáveis. Segundo a Galaxy Research, os investimentos no setor caíram para US$ 4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o equivalente à metade do volume visto no final de 2025.
Ryan Kirkley, CEO da Global Settlement Network (GSN), afirma que a base para o fracasso de muitos negócios foi estabelecida durante a euforia de captações entre os anos de 2020 e 2021.
“Se você capta com uma avaliação alta demais, garante a si mesmo um resultado negativo”, disse Kirkley em entrevista à CoinDesk.
O executivo explica que muitos projetos cripto levantaram quantias bilionárias mesmo sem gerar receita ou apresentar um caminho realista para a lucratividade. O objetivo, muitas vezes, era apenas justificar a próxima rodada de financiamento.
O impacto na governança e o futuro dos projetos cripto
A cultura de divulgar grandes rodadas para atrair a atenção do varejo também mascarou a realidade. Em diversos casos, os valores anunciados publicamente divergiam do dinheiro que de fato entrava no caixa das empresas.
A governança descentralizada é outro modelo que passa por um teste prático. Kirkley aponta que a simples posse de tokens não resulta em participação ativa, o que tem dificultado a rápida adaptação de projetos cripto que precisam mudar de estratégia para sobreviver.
Neste cenário de depuração, o mercado passa a ditar o que possui demanda real. Infraestruturas institucionais, neobanks e stablecoins emergem como vencedores. Em contrapartida, segmentos como memecoins, tokens sociais e partes dos jogos Web3 enfrentam o momento mais rigoroso do ciclo.
O mercado também observa de perto a movimentação do Bitcoin (BTC), que negociava na faixa de US$ 64.100 no momento da publicação original. Kirkley classifica o momento como um “bear market leve”, mas ressalta que a manutenção do suporte de US$ 61.200 é vital para evitar liquidações em massa que poderiam empurrar o ativo para US$ 41.000.
Apesar da onda de falências, a adoção da tecnologia avança de forma expressiva entre governos e instituições financeiras. O foco atual destas entidades, no entanto, é a redução de custos e a modernização financeira através de redes reguladas e centralizadas, distanciando-se da visão original do mercado.





