A alta do Bitcoin surpreendeu os investidores nesta quarta-feira, registrando seu ganho diário mais acentuado desde 4 de março. A criptomoeda subiu 8,7%, atingindo a máxima intradiária de US$ 72.300.
Esse é o maior nível de preço alcançado pelo ativo desde 1º de junho. O movimento intenso e rápido reverteu as expectativas do mercado, que antes operava com forte pessimismo em relação ao curto prazo.
O principal gatilho para essa valorização não veio do ecossistema cripto, mas do cenário macroeconômico. O Tesouro dos Estados Unidos anunciou que dobrará as recompras de títulos de longo prazo a partir de 9 de setembro.
As operações passarão de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, o que reduz os rendimentos dos títulos e enfraquece o dólar. Analistas já chamam a dinâmica de “QE Lite”, pois torna ativos de risco, como o Bitcoin, mais baratos para compradores estrangeiros.
O cenário macro favorável coincidiu com movimentações políticas importantes. Uma reunião entre executivos do setor de criptomoedas e reguladores na Casa Branca ocorreu ao mesmo tempo em que a SEC propôs regras mais brandas para ofertas de ativos digitais.
O impacto da alta do Bitcoin no mercado financeiro
A mudança abrupta de cenário causou um forte movimento de liquidação. Dados da CoinGlass indicam que US$ 1,14 bilhão em posições vendidas (shorts) foram varridos do mercado em apenas uma hora, com o Bitcoin representando US$ 677,64 milhões desse total.
O mercado de ações relacionado ao setor acompanhou o impulso de perto. Os papéis da Strategy subiram quase 12%, as ações da Coinbase avançaram 9%, enquanto as empresas Circle e BitMine registraram ganhos na faixa de 9% a 10%.
Plataformas de previsão como Myriad, Polymarket e Kalshi demonstraram que a alta do Bitcoin não estava precificada. Na Myriad, a probabilidade de uma queda para US$ 55 mil, que antes era de 70%, caiu para cerca de 51,9% contra 48,1% de chance de um salto para US$ 84 mil.
Enquanto os mercados de previsão de curto prazo foram pegos desprevenidos, as projeções para o final do ano mantiveram-se estáveis. O foco dos investidores agora está voltado para os próximos níveis técnicos no gráfico.
O ponto crítico de resistência está posicionado em US$ 70.284. Um fechamento diário acima dessa marca pode abrir espaço para a faixa de US$ 73.245, enquanto a perda do suporte de US$ 68.000 pode devolver o ativo ao intervalo de negociação em que esteve preso desde junho.


