Pânico nas bolsas asiáticas acelera a adoção de criptomoedas no Japão e Coreia do Sul

Pânico nas bolsas asiáticas acelera a adoção de criptomoedas no Japão e Coreia do Sul

Os mercados financeiros do Japão e da Coreia do Sul enfrentam fortes quedas com o recuo das ações ligadas à inteligência artificial. No entanto, essa turbulência coincide com um movimento histórico que pode acelerar a adoção de criptomoedas na região.

O índice Kospi, da Coreia do Sul, entrou oficialmente em uma tendência de baixa técnica após recuar mais de 20% em relação ao seu pico recente. O movimento reverte uma alta expressiva de 116% registrada neste ano, que havia posicionado o país como a sexta maior bolsa do mundo.

O colapso foi impulsionado pelo excesso de alavancagem dos investidores de varejo, que acumularam cerca de 29,2 trilhões de wons (cerca de US$ 19,7 bilhões) em dívidas para comprar ETFs de empresas como Samsung e SK Hynix. No Japão, o índice Nikkei 225 também despencou, arrastado por gigantes dos semicondutores como Tokyo Electron e SoftBank.

Novas regras e o futuro da adoção de criptomoedas

Enquanto as bolsas tradicionais balançam, os governos asiáticos correm para integrar os ativos digitais ao sistema financeiro tradicional, criando um ambiente propício para a adoção de criptomoedas.

A nova legislação do Japão estabelece regras contra o uso de informações privilegiadas e reduz o imposto sobre os ganhos para uma taxa fixa de 20% a partir de 2028, substituindo alíquotas que chegavam a 55%. A mudança abre espaço jurídico para o lançamento de ETFs de cripto no país até 2027.

Segundo a empresa XWIN, citada pela CryptoQuant, “a reforma não classifica o Bitcoin ou o Ethereum como valores mobiliários. Em vez disso, reconhece os criptoativos como produtos de investimento e introduz proteção ao investidor, requisitos de divulgação e vigilância de mercado semelhantes aos dos mercados financeiros tradicionais”.

Paralelamente, a Coreia do Sul anunciou a Lei Básica de Ativos Nacionais, integrando oficialmente os ativos digitais à riqueza do Estado, ao lado de imóveis e propriedade intelectual. A medida atualiza uma estrutura jurídica que vigorava desde 1950 e envolve a gestão de cerca de 1.400 trilhões de wons em patrimônio público.

Especialistas apontam que a poupança das famílias japonesas soma quase US$ 13 trilhões, e qualquer migração desse capital transformaria o setor. Embora investidores prejudicados pela alavancagem em IA possam buscar refúgio em ativos menos voláteis, a criação dessa infraestrutura legal pavimenta o caminho para a adoção de criptomoedas por grandes instituições.