A discussão sobre os impactos da computação quântica costuma focar no roubo de chaves privadas de carteiras. No entanto, especialistas alertam que o perigo real e imediato está na interceptação de dados que trafegam entre corretoras e custodiantes hoje mesmo.

Segundo Andrew Gault, investidor de risco especializado em hardware quântico, o mercado cripto ignora o fluxo de informações em movimento. “A vulnerabilidade mais perigosa do sistema financeiro não são os dados armazenados, são os dados que se movem entre as instituições agora”, afirmou o executivo à CoinDesk.

Esse modelo de ataque é conhecido no meio tecnológico como “colha agora, decodifique mais tarde”. Entidades maliciosas interceptam e guardam mensagens criptografadas atualmente, esperando o momento em que a tecnologia evolua para abrir esses arquivos retroativamente.

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Como mitigar os riscos da computação quântica

A urgência fez o próprio Google antecipar sua meta de migração de segurança criptográfica interna para 2029, priorizando a proteção de assinaturas digitais. Estudos do banco Citi mostram o tamanho do estrago no sistema tradicional: um ataque quântico contra um grande banco norte-americano poderia gerar um impacto cascata de até US$ 3,3 trilhões.

No setor de criptoativos, a superfície de vulnerabilidade atinge fluxos de pontes entre redes (bridges), pacotes de autenticação de APIs de exchanges e transações assinadas na mempool. A CoinShares aponta que o temor sobre chaves de carteiras expostas é exagerado, estimando que apenas cerca de 10.200 BTC teriam peso para desestabilizar o mercado se fossem roubados.

Enquanto a rede Ethereum já iniciou um plano coordenado de migração pós-quântica, o ecossistema do Bitcoin ainda não definiu um caminho claro de transição. Além disso, as principais plataformas de negociação e custódia do mercado seguem sem compromissos públicos para enfrentar os avanços da computação quântica.

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