O preço do Bitcoin recuou após uma tentativa frustrada de romper a barreira dos US$ 82.000, passando a testar diretamente a zona de suporte dos US$ 78.000. Essa movimentação reflete o estresse macroeconômico causado pela escalada nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pelos persistentes receios inflacionários.
Durante o dia, a principal criptomoeda do mercado chegou a tocar a mínima intraday de US$ 77.711 antes de demonstrar uma leve recuperação para a faixa de US$ 78.225. O recuo acumulado é de 3,9% desde a abertura do dia 15 de maio, quando o ativo operava acima dos US$ 81.000, puxando bolsas e títulos globais para baixo na mesma esteira.
O principal fator de pressão externa vem do mercado de renda fixa americano. O rendimento da Treasury de 10 anos atingiu 4,599%, enquanto o título de 30 anos subiu para 5,131%, alcançando o maior patamar desde maio de 2025. Como o preço do Bitcoin não gera rendimentos nativos, a competição com taxas garantidas pelo governo americano eleva o custo de oportunidade para os investidores institucionais.
Além disso, dados da K33 apontam que a correlação de 30 dias do Bitcoin com os contratos futuros da Nasdaq ultrapassou 0,7. O cenário inflacionário nos EUA corrobora a postura rígida do Federal Reserve, com o índice de preços ao consumidor (CPI) de abril acelerando para 3,8% no ano, impulsionado pela alta de 17,9% no setor de energia. No mercado de commodities, o petróleo WTI fechou a US$ 105,42 e o Brent atingiu US$ 109,26.
Preço do Bitcoin despenca abaixo de US$ 79 mil com medo macro; há chance de reviravolta?
Os cenários e níveis técnicos para o preço do Bitcoin
No fluxo dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, a proteção de liquidez que existia em semanas anteriores enfraqueceu. Dados da Farside Investors revelam que, após fortes entradas de US$ 706,1 milhões na semana terminada em 11 de maio, o ritmo reverteu para saídas de US$ 630,4 milhões no dia 13, seguidas por uma captação discreta de US$ 131,3 milhões no dia 14 e novos resgates de US$ 290,4 milhões no dia 15.
Tecnicamente, a manutenção do preço do Bitcoin acima de US$ 78.000 em um fechamento diário mantém a recente correção sob parâmetros controlados. No entanto, uma perda definitiva da marca de US$ 77.700 pode acionar uma sequência de baixa, abrindo espaço para testar os US$ 76.500 e, na sequência, a barreira psicológica de US$ 75.000, onde compradores de longo prazo historicamente mostram convicção.
Caso o cenário macroeconômico se agrave com juros e petróleo persistentemente altos, o ativo pode entrar em uma zona de desalavancagem mais profunda entre US$ 73.000 e US$ 74.000. Por outro lado, para neutralizar a tendência de queda, o primeiro passo dos compradores é retomar a faixa de US$ 80.000, abrindo caminho para testar a resistência crucial de US$ 82.000, onde se posiciona a média móvel exponencial de 200 dias (EMA 200).
Robôs de IA para Investir em Ações: 10 Ferramentas para Iniciantes




