
O Bitcoin voltou a apresentar desempenho superior ao do S&P 500 em outubro, mas essa força relativa ainda não se traduziu em uma recuperação consistente dos preços.
Mesmo ganhando de ações americanas em mais pregões, a criptomoeda continua encontrando dificuldades para sustentar cotações acima de US$ 85 mil e, mais recentemente, até para permanecer acima de US$ 80 mil.
A diferença em relação aos meses anteriores é expressiva. Em junho, o Bitcoin superou o S&P 500 em apenas um a cada cinco pregões, seu pior desempenho relativo em mais de cinco anos. Em outubro, a criptomoeda passou a registrar mais sessões de valorização que de queda em comparação com o índice de ações.
Apesar disso, o movimento ainda não foi suficiente para estabelecer uma tendência de alta. O Bitcoin atingiu US$ 87.100 em 23 de setembro, mas, desde janeiro, fechou acima de US$ 85 mil em apenas cinco pregões.
Por que o Bitcoin não consegue superar os US$ 85 mil?
Dados da Glassnode apontam três frentes que ajudam a explicar a dificuldade de recuperação: demanda enfraquecida, pressão de venda e condições pouco favoráveis no mercado.
Do lado da demanda, os fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista perderam força. Quase todo o volume de US$ 653 milhões que entrou nesses produtos em 19 de outubro já deixou os fundos. Na Binance, as ordens de compra também se concentraram em níveis mais baixos, entre US$ 78 mil e US$ 79 mil.
A oferta disponível no mercado representa outro obstáculo. Investidores de longo prazo detêm aproximadamente 4 milhões de BTC adquiridos entre US$ 85 mil e US$ 118 mil. Parte desses participantes pode aproveitar uma eventual recuperação para vender perto do preço de aquisição, aumentando a pressão justamente quando o Bitcoin tenta avançar.
Esse comportamento ajuda a explicar a dificuldade de ultrapassar a faixa entre US$ 84 mil e US$ 85 mil. Além disso, o preço chegou a recuar ligeiramente abaixo do custo médio de aquisição dos investidores em ETFs, estimado em US$ 81.500.
O cenário econômico também não oferece muito suporte. O crescimento econômico perdeu força, a confiança do consumidor está próxima dos níveis mais baixos desde 2009 e a recuperação atual do Bitcoin continua atrás do movimento registrado em 2023.
Enquanto isso, investidores especulativos demonstram preferência por ações, e a participação das altcoins no mercado vem diminuindo.
Há, porém, sinais iniciais de estabilização. A volatilidade do Bitcoin recuou para níveis semelhantes aos de 2023, enquanto as perdas registradas em cada nova queda estão diminuindo. Carteiras que armazenam entre 100 e 1.000 BTC também continuam aumentando suas posições.
Decisão do Fed e os preços que podem definir o próximo movimento
Em 28 de outubro, o Federal Reserve manteve os juros inalterados, depois de um aumento de 0,25 ponto percentual em setembro. Alguns analistas consideravam a decisão um possível catalisador para o mercado, especialmente porque os dois últimos períodos de baixa volatilidade antecederam movimentos expressivos nos preços.
Agora, os próximos níveis de negociação ajudam a delimitar os cenários para o Bitcoin.
Na direção de baixa, as ordens de compra concentradas entre US$ 78 mil e US$ 79 mil e a True Market Mean, indicador que representa uma referência de preço médio do mercado, próxima de US$ 77.900, aparecem como possíveis regiões de suporte.
Caso o preço fique abaixo dessa faixa, o próximo nível importante é o custo médio de aquisição dos investidores de curto prazo, estimado em US$ 75.800.
Na direção oposta, um fechamento diário acima de US$ 81.500 colocaria novamente o investidor médio dos ETFs no lucro. A recuperação dos US$ 85 mil seria o próximo avanço relevante. Já um fechamento acima de US$ 87.500, acompanhado de novos aportes nos ETFs, indicaria uma demanda mais consistente.
Por enquanto, o desempenho superior às ações americanas ainda não se transformou em uma ruptura decisiva de preço. O Bitcoin recuperou força em relação ao S&P 500, mas a combinação de demanda limitada e investidores dispostos a vender perto do ponto de equilíbrio continua dificultando uma retomada acima dos US$ 85 mil.









