O Banco de Compensações Internacionais (BIS) apresentou resultados promissores sobre o uso de blockchain no sistema financeiro global. Um teste recente indicou que a tokenização tem o potencial de transformar os pagamentos internacionais entre bancos, trazendo mais agilidade e segurança.
Batizada de Projeto Agorá, a iniciativa é uma parceria com o Institute of International Finance (IIF) e foca em grandes transferências. O objetivo principal é usar contratos inteligentes para cortar custos operacionais, eliminar atrasos e evitar falhas que hoje travam o comércio global.
De acordo com o relatório oficial, o sistema experimental alcançou liquidações chamadas de “atômicas” entre diferentes países e moedas. Isso garante que a transação só seja finalizada se todas as etapas ocorrerem ao mesmo tempo, blindando as instituições contra riscos de liquidações parciais.
A arquitetura do projeto foi desenhada em duas camadas fundamentais: a primeira funciona como um registro compartilhado para os depósitos tokenizados dos bancos comerciais, enquanto a segunda cuida das reservas dos bancos centrais, preservando a autonomia de cada país.
Tokenização de ativos: por que o mercado financeiro está migrando para a blockchain
Como a tokenização resolve os gargalos dos grandes bancos
O ecossistema atual de correspondentes bancários é frequentemente criticado por ser demorado, caro e opaco. Como as operações dependem de múltiplos intermediários em sequência, a gestão de liquidez se torna complexa e os custos acabam subindo para as empresas.
O novo modelo do BIS permite que a tokenização execute pagamentos internacionais de forma contínua, funcionando 24 horas por dia. Assim que os recursos são travados no sistema, a liquidação final acontece em poucos segundos, sem depender de fusos horários comerciais.
O teste contou com a participação de sete bancos centrais de peso, como o Federal Reserve de Nova York e o Banco da Inglaterra, além de mais de 40 bancos privados. O modelo também manteve regras rígidas de privacidade e conformidade contra a lavagem de dinheiro.
Apesar do sucesso, o BIS pondera que a tecnologia de tokenização aplicada a pagamentos globais ainda está em fase de testes. Os próximos passos envolvem transações com valores reais e moedas selecionadas antes de qualquer implementação em larga escala.
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