Um novo capítulo na recuperação judicial da FTX traz avanços para os investidores lesados. O antigo escritório de advocacia externo da exchange, Fenwick & West, aceitou pagar US$ 54 milhões para encerrar as acusações de que teria facilitado as fraudes de Sam Bankman-Fried.
O acordo faz parte de uma segunda rodada de negociações coletivas apresentada na última sexta-feira ao tribunal federal de Miami. Além do escritório, a auditora Prager Metis pagará US$ 11,75 milhões, e o ex-jogador de basquete Udonis Haslem desembolsará US$ 420 mil, totalizando quase US$ 66 milhões.
Os advogados das vítimas afirmam que a Fenwick ajudou a estruturar estratégias que permitiram os desvios. Por outro lado, o escritório declarou à Reuters que não sabia das irregularidades, defendeu a integridade de seu trabalho legal e contestou qualquer conduta ilícita.
Esse grupo de réus se soma a uma lista anterior de 15 acordos pré-aprovados pela Justiça americana entre dezembro de 2024 e julho de 2025. A primeira fase envolveu o próprio Bankman-Fried, ex-executivos da Alameda Research e celebridades que promoveram a plataforma, como Shaquille O’Neal.
FTX: a ascensão e a queda da exchange que enganou o mundo
Como funcionará o pagamento para as vítimas do caso FTX
Os defensores dos clientes agora pedem que o juiz K. Michael Moore unifique o processo em uma classe única, que engloba milhões de usuários afetados globalmente. Para acelerar a distribuição, eles sugerem que uma administradora independente gerencie os pagamentos, retirando a função da massa falida da exchange.
O plano de compensação prevê deduzir o valor que cada usuário já está recuperando pela falência direta da empresa. O cálculo dos ativos perdidos utilizará as cotações do CoinGecko do dia 14 de maio, enquanto o token nativo FTT será contabilizado apenas pelo preço comprovado de compra.
Nem todos os credores concordam com os termos estabelecidos: um grupo de 21 investidores internacionais de regiões como Hong Kong, Reino Unido e União Europeia, que soma mais de US$ 500 milhões em prejuízos, solicitou que o juiz não valide decisões que afetem suas reivindicações particulares até a análise de um pedido separado.
Vale destacar que a Fenwick ainda responde a uma ação civil de US$ 525 milhões em Washington por negligência e fraude. Mais de três anos após o colapso sofrido em novembro de 2022, os desdobramentos do caso FTX continuam avançando nos tribunais enquanto Bankman-Fried cumpre sua pena de 25 anos de prisão.
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