Ações tokenizadas: Binance, Kraken e Bybit entram na disputa por mercado de US$ 126 trilhões

Ações tokenizadas: Binance, Kraken e Bybit entram na disputa por mercado de US$ 126 trilhões

Ações tokenizadas estão se tornando o novo campo de batalha entre as maiores exchanges de criptomoedas e as corretoras tradicionais de Wall Street. Binance, Kraken, Bybit e Gemini aceleraram a expansão de produtos ligados a ações dos Estados Unidos, levando papéis como Apple, Nvidia e Tesla para dentro dos mesmos aplicativos usados para negociar Bitcoin e outras criptomoedas.

A estratégia é simples: permitir que investidores comprem exposição a ações, ETFs e até ofertas públicas iniciais (IPOs) sem sair do ecossistema cripto; ao invés de abrir conta em uma corretora tradicional, o usuário pode negociar ativos financeiros utilizando stablecoins e carteiras digitais já integradas às plataformas.

A Binance anunciou acesso direto a mais de 7 mil ações e ETFs dos EUA, além dos chamados bStocks, ativos tokenizados que oferecem exposição econômica 1:1 a determinadas ações. Segundo a empresa, esses produtos podem ser negociados 24 horas por dia e transferidos para carteiras de autocustódia.

Já a Kraken expandiu sua linha xStocks para 100 ações e ETFs tokenizados totalmente lastreados, com meta de ultrapassar 500 ativos até o fim de 2026. A exchange afirma que o produto já movimentou mais de US$ 25 bilhões em volume de transações desde junho de 2025.

A Bybit seguiu uma abordagem diferente ao anunciar acesso tokenizado a IPOs, começando pela SpaceX. A proposta busca oferecer ao investidor de varejo uma exposição que historicamente esteve concentrada entre investidores institucionais e grandes fortunas.

Enquanto isso, a Gemini passou a disponibilizar ações tokenizadas por meio das dShares, emitidas pela Dinari, para clientes elegíveis em países da Europa, com negociação 24 horas por dia e sem cobrança de taxas de negociação.

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Ações tokenizadas colocam exchanges e Wall Street em rota de colisão

O avanço das ações tokenizadas não está ocorrendo apenas dentro do mercado cripto; as bolsas tradicionais também começaram a se movimentar. A NYSE anunciou uma plataforma de valores mobiliários tokenizados voltada para negociações contínuas, liquidação imediata e uso de stablecoins. Pouco depois, a SEC aprovou uma proposta da Nasdaq para permitir a negociação e liquidação tokenizada de determinadas ações do índice Russell 1000 e ETFs de grande relevância por meio da infraestrutura da DTC.

O movimento mostra que tanto as exchanges quanto as instituições financeiras tradicionais enxergam a tokenização como uma possível evolução dos mercados de capitais. A diferença está em quem controlará a relação com o investidor final, a custódia dos ativos e a infraestrutura de negociação.

Apesar do crescimento, especialistas e reguladores destacam que os diferentes modelos de ações tokenizadas não oferecem necessariamente os mesmos direitos de uma ação comprada por uma corretora tradicional. Dependendo da estrutura, o investidor pode ter apenas exposição ao preço do ativo, sem direitos de voto ou participação societária direta.

Essa distinção nos modelos de ações tokenizadas ganhou destaque após comunicados da SEC e das próprias plataformas. A Binance informa que os bStocks não representam ações reais da empresa listada. A Kraken afirma que os xStocks não concedem propriedade direta dos papéis, enquanto a Robinhood descreve seus tokens de ações como contratos derivativos vinculados ao desempenho do ativo de referência.

As projeções para o setor são ambiciosas; a Binance Research estima que as exchanges de criptomoedas podem direcionar cerca de 300 milhões de novos usuários e aproximadamente US$ 2 trilhões em capital adicional para o mercado global de ações até 2031.

Ao mesmo tempo, projeções da Citi apontam que os ativos tokenizados podem alcançar entre US$ 2,7 trilhões e US$ 8,2 trilhões até 2030, dependendo do ritmo de adoção e do avanço regulatório. Em um cenário mais otimista, as ações tokenizadas poderiam se tornar uma das principais portas de entrada para investidores internacionais interessados no mercado americano.

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