Gigantes de peso: Visa, Mastercard e Ripple se unem no lançamento da Open USD

Gigantes de peso: Visa, Mastercard e Ripple se unem no lançamento da Open USD

Um consórcio composto por mais de 140 empresas, incluindo gigantes como Visa, Mastercard e Coinbase, anunciou o lançamento de uma nova moeda digital pareada ao dólar. Batizado de Open USD, o ativo promete transformar o mercado de pagamentos corporativos e deve começar a rodar oficialmente ainda este ano.

A iniciativa global é coordenada pela empresa independente Open Standard. O objetivo principal do projeto é acelerar a utilização de tokens digitais em larga escala pelo mundo, eliminando barreiras financeiras e operacionais que hoje travam a expansão desse mercado entre grandes companhias.

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De acordo com Zach Abrams, CEO fundador da Open Standard, as opções de mercado atuais possuem limitações para a demanda corporativa em massa. “Existing stablecoins have great strengths, but to use them at scale, businesses need something that’s open, low-cost, high-throughput, broadly accessible, and aligned to their interests”, afirmou o executivo.

A principal inovação da Open USD está no seu modelo financeiro compartilhado. Enquanto as líderes Tether e Circle retêm a rentabilidade das reservas em títulos públicos — a Tether registrou mais de US$ 10 bilhões em lucros em 2025 com essa estratégia, a nova rede vai distribuir os rendimentos de suas reservas diretamente entre as empresas participantes do consórcio, descontando apenas uma taxa operacional de administração.

Essa divisão de lucros aproveita uma brecha na legislação americana. A lei federal GENIUS Act, sancionada pelo presidente Donald Trump no ano passado para regulamentar o setor, proíbe que os emissores paguem rendimentos aos usuários finais que guardam os tokens, mas não faz restrições sobre o repasse de dividendos para as empresas parceiras da infraestrutura.

A Ripple causou forte repercussão no mercado cripto ao se integrar ao projeto logo no primeiro dia. A empresa vai disponibilizar o XRP Ledger como uma das vias tecnológicas por onde a Open USD poderá transacionar. A movimentação chamou a atenção por ocorrer em paralelo à expansão da RLUSD, stablecoin própria que a Ripple lançou no final de 2024.

Para os analistas, a inserção coloca a tecnologia da Ripple em um papel de neutralidade dentro do arranjo de pagamentos de grandes instituições. Carolyn Weinberg, diretora global de produto e inovação do BNY, reforçou a força desse modelo: “A stablecoin with neutral governance and shared economics is a unique combination that has potential to unlock the next phase of digital assets growth”.

Apesar do otimismo institucional, o impacto imediato no preço do token de mercado XRP tende a ser marginal. Como as taxas cobradas no livro contábil da Ripple custam frações mínimas de centavo, o fluxo de transações da nova moeda consumirá poucas unidades de XRP. O projeto ainda precisará provar sua capacidade de coordenação interna e enfrentar o escrutínio de órgãos de defesa da concorrência, superando barreiras parecidas com as que inviabilizaram o antigo projeto Libra do Facebook.

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