Cartões de criptomoedas movimentam US$ 600 mi por mês, mas a ironia é que a Visa lidera o setor

Cartões de criptomoedas movimentam US$ 600 mi por mês, mas a ironia é que a Visa lidera o setor

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por Redação

As stablecoins nasceram com a promessa de eliminar intermediários financeiros e desbancar o sistema tradicional de pagamentos. No entanto, dados recentes mostram um movimento inesperado: o uso de cartões de criptomoedas está crescendo aceleradamente, e a gigante de pagamentos Visa capturou quase a totalidade desse ecossistema.

De acordo com dados compilados pela The Kobeissi Letter, os gastos globais com esses cartões alcançaram a marca de US$ 600 milhões por mês. No total acumulado, o volume transacionado diretamente na blockchain já soma US$ 7,2 bilhões, distribuídos em 24 milhões de transações e mais de 1,3 milhão de carteiras digitais ativas.

A grande surpresa para o setor é o nível de centralização dessa camada de consumo. A Visa processa aproximadamente 90% de todas as operações envolvendo cartões de criptomoedas, mantendo-se firme entre a carteira do usuário e o comerciante. Entre os ativos mais utilizados, o USDT lidera de forma isolada, respondendo por 62,5% do volume liquidado.

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O futuro dos cartões de criptomoedas e a reação do mercado

Projetos envolvendo cartões de criptomoedas focados em integração rápida registram expansão expressiva: o Jupiter Card, um cartão de débito Visa lastreado em USDC, registrou um crescimento impressionante de 660% de um mês para o outro. Plataformas populares como Phantom e MetaMask também já distribuem soluções semelhantes por meio da provedora Bridge, operando em 18 países com planos de expandir para mais de 100 até o fim do ano.

Em paralelo, o projeto piloto de liquidação com stablecoins da própria Visa atingiu um ritmo anualizado de US$ 7 bilhões, um salto de 50% na comparação trimestre a trimestre. Embora o número seja modesto frente aos US$ 14,2 trilhões movimentados pela bandeira no ano fiscal de 2025, o ritmo valida o forte interesse institucional pela tecnologia de ativos digitais.

O mercado projeta cenários distintos para o futuro dos cartões de criptomoedas nos próximos anos. Enquanto o Standard Chartered prevê que o suprimento total de stablecoins chegue a US$ 2 trilhões até 2028, o JPMorgan adota uma postura mais conservadora, estimando US$ 500 bilhões. Se a penetração atual de gastos se mantiver em 2,2% do suprimento, o volume anual desse segmento pode oscilar entre US$ 9 bilhões (cenário pessimista) e US$ 45 bilhões (cenário otimista).

A concorrência também se movimenta nos bastidores para não perder espaço: a Mastercard anunciou planos de adquirir a BVNK por até US$ 1,8 bilhão, permitindo gastos em mais de 150 milhões de estabelecimentos comerciais. No fim das contas, enquanto as stablecoins continuam transformando remessas internacionais e o mercado de câmbio tradicional, o varejo diário parece consolidar a vitória das redes de cartões já existentes.

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