
Enquanto a cotação do ativo é negociada na faixa de US$ 81 mil, analistas do mercado financeiro apresentam projeções drasticamente opostas para o preço do Bitcoin.
De um lado, Mike McGlone, estrategista da Bloomberg Intelligence, projeta que o preço do Bitcoin pode recuar para US$ 10 mil. No entanto, essa hipótese de queda de quase 88% depende de um declínio de 20% no mercado acionário dos Estados Unidos.
McGlone destaca que o rendimento dos títulos públicos americanos de cinco anos está perto de 5%, o que gera concorrência direta para ativos sem rendimento passivo, como o ouro e a criptomoeda. Ele também aponta a média móvel de 50 semanas do ativo em tendência de baixa, comparando o momento atual com as correções vistas em 2022 e 2023.
O estrategista pondera que a tese perde força se a cotação se mantiver acima de US$ 75 mil. Atualmente, o índice Nasdaq 100 recuou cerca de 6,5% em relação ao topo registrado em 6 de outubro.
Em contrapartida, Ki Young Ju, fundador da CryptoQuant, rejeita a projeção de US$ 10 mil e calcula um suporte teórico em torno de US$ 30 mil. Para o executivo, uma queda de 63% em relação aos patamares atuais já representaria o limite técnico do ciclo.
Estrutura on-chain e comportamento institucional afetam o preço do Bitcoin
A análise da CryptoQuant baseia-se no custo de aquisição dos investidores, na entrada de recursos via ETFs e na acumulação por empresas. Dados apontam que os ETFs de Bitcoin captaram cerca de US$ 58 bilhões desde o lançamento, enquanto companhias listadas mantêm quase 1,3 milhão de unidades em caixa.
Segundo Ki Young Ju, a métrica MVRV — que compara o valor de mercado à capitalização realizada, ficaria próxima de 0,2 no patamar de US$ 10 mil. Como a mínima histórica do indicador foi de aproximadamente 0,6 em ciclos anteriores de baixa, o cenário de McGlone exigiria uma subavaliação três vezes mais profunda que os recordes já registrados.
No momento, a CryptoQuant identifica uma fase inicial de alta. O indicador Bull Score Index saiu de 20 no final de julho para 90 no fim de setembro, estabilizando-se perto de 80. Além disso, grandes carteiras (baleias) acumulam 3,03 milhões de unidades fora de corretoras e mineradores.
“As baleias passaram da venda para a acumulação, os ETFs voltaram a comprar e os maiores tomadores de empréstimo obtêm liquidez com garantias em seus ativos em vez de vendê-los”, afirma Ki Young Ju.
Apesar da acumulação observada, o mercado permanece exposto às decisões do Federal Reserve e a uma eventual correção em Wall Street. Como a queda de 20% nas ações americanas ainda não ocorreu, o pressuposto central da tese de McGlone não se confirmou, e ambas as análises representam apenas modelos teóricos sujeitos a oscilações de liquidez ou choque regulatório.








