
Uma lei matemática com mais de um século de história está por trás de uma projeção ambiciosa para o Bitcoin. O modelo conhecido como Power Law aponta que a criptomoeda pode alcançar um preço de tendência próximo de US$ 1 milhão em 2033, com base no padrão de crescimento observado desde seus primeiros anos.
A teoria parte de uma relação entre a idade do Bitcoin e seu preço de longo prazo. A proposta é que o ativo continue se valorizando à medida que amadurece, mas apresente taxas de crescimento percentuais cada vez menores.
Associado ao físico Giovanni Santostasi, o modelo descreve uma relação matemática conhecida como lei de potência. Esse tipo de função aparece em diferentes campos, como física, economia e estudos da natureza. Uma de suas primeiras aplicações conhecidas remonta aos trabalhos do astrônomo Johannes Kepler, no século 17.
No caso do Bitcoin, a estimativa de Santostasi indica que, cada vez que a idade da rede dobra, seu preço de tendência aumenta aproximadamente 50 vezes. Isso significa que a valorização projetada ocorre em períodos progressivamente mais longos, mesmo que a trajetória geral continue ascendente.
A discussão ganhou força em 2026, quando Santostasi e Stephen Perrenod publicaram um estudo revisado por pares sobre a relação entre adoção da rede e preço do Bitcoin.
Power Law explica 96% do histórico do Bitcoin, mas não prevê o futuro
Os pesquisadores analisaram 5.696 preços diários do Bitcoin, entre julho de 2010 e fevereiro de 2026. O modelo explicou aproximadamente 96% da variação histórica do preço em escala logarítmica.
O número chama atenção, mas precisa ser interpretado com cuidado. Isso não significa que o modelo tenha acertado 96% de suas previsões. O resultado mede o quanto a curva matemática se ajusta ao comportamento passado do Bitcoin, não sua capacidade de antecipar cotações futuras.
Há também resultados favoráveis em pesquisas independentes. Pesquisadores de universidades portuguesas identificaram que a versão simples da Power Law teve desempenho superior ao das alternativas avaliadas em projeções com horizontes de 12 a 24 meses.
Ainda assim, levantaram dúvidas sobre a estabilidade e o caráter fundamental dessa relação matemática.
Outro ponto merece atenção: os picos dos ciclos de alta estão cada vez mais próximos da linha de tendência do modelo. Em 2013, o preço máximo do Bitcoin chegou a quase 11 vezes essa referência. Em 2025, a diferença havia diminuído para aproximadamente 1,2 vez.
Essa mudança pode indicar que o Bitcoin está se tornando um ativo mais maduro, com movimentos de preço menos extremos em relação à tendência histórica. Mas também existe outra interpretação: a curva pode estar começando a superestimar o crescimento futuro.
Por isso, a projeção de US$ 1 milhão em 2033 deve ser entendida como uma consequência matemática do modelo, não como um preço garantido. A principal incógnita é se a relação observada durante os primeiros anos de adoção do Bitcoin continuará válida nas próximas décadas.







