O preço do Bitcoin operou com baixa volatilidade nesta quarta-feira, mantendo-se na faixa de US$ 64.000. O movimento ocorre em um momento de nítido contraste com o mercado de ações tradicional, onde o índice global da MSCI e as bolsas dos Estados Unidos atingiram novas máximas impulsionadas pelo setor de inteligência artificial.
A falta de variação no preço do Bitcoin evidencia que o mercado de criptomoedas ficou de fora do otimismo macroeconômico atual. Nas últimas 24 horas, o ativo subiu menos de 1%, registrando um desempenho neutro no acumulado de sete dias. Esse cenário posiciona a principal criptomoeda cerca de 49% abaixo da máxima de US$ 126.000 registrada em outubro do ano passado.
O Ether foi a única grande criptomoeda a fechar no vermelho na análise semanal, recuando 2% e sendo negociado a US$ 1.864. Outros ativos apresentaram leves quedas ou estabilidade: o XRP caiu quase 1% para US$ 1,07, mesmo percentual de recuo do Dogecoin, que ficou pouco abaixo de US$ 0,07, e do Tron, cotado a US$ 0,33. A Solana permaneceu estável perto de US$ 73,60.
Na contramão da estabilidade geral, o token BNB liderou os ganhos semanais entre os principais projetos com alta de 5%, atingindo a marca de US$ 598. O destaque positivo isolado foi o token HYPE, da Hyperliquid, que subiu 3% nas últimas 24 horas e encostou em US$ 56.
O acordo de Ormuz e o impacto no preço do Bitcoin
O cenário das bolsas de valores segue uma rota de ganhos consistentes. Além do índice MSCI, as referências da Ásia-Pacífico e do mercado australiano bateram níveis inéditos, seguindo o S&P 500 e o Dow Jones. As empresas de tecnologia refletiram essa movimentação: a sul-coreana SK Hynix subiu 6,4% e a Nvidia avançou mais de 2%.
Em contrapartida, a AMD caiu 9% após projeções fracas de vendas e a SpaceX recuou 7,5% devido aos altos custos com IA.
No contexto macroeconômico global, o petróleo Brent recuou 1,1%, chegando a cerca de US$ 78,50 o barril. A movimentação de baixa nos combustíveis ocorreu após o site Axios relatar que Washington, Teerã e Omã estão próximos de firmar um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, com anúncio previsto para esta quarta-feira.
Os rendimentos dos títulos do tesouro americano e o ouro também avançaram com a redução das apostas em novos aumentos nas taxas de juros.
Apesar do petróleo mais barato, da expectativa de juros menores e do forte apetite por risco nas bolsas tradicionais, o preço do Bitcoin segue inalterado por três sessões consecutivas. O aguardado acordo do Estreito de Ormuz representa o principal catalisador macroeconômico da semana para os ativos de risco.
Se a notícia geopolítica se confirmar e o mercado de criptomoedas continuar sem registrar altas, o atual ciclo indica que a falta de fluxo é um fator interno do setor digital, mostrando que os investidores institucionais estão focando seus capitais em outras classes de ativos neste momento.


