O governo russo decidiu proibir a mineração de Bitcoin em Moscou e em regiões vizinhas até o final de 2032. A medida drástica foi estabelecida pelo Ministério da Energia para evitar o colapso da rede elétrica local, que vem sofrendo forte pressão da alta demanda de energia.
Além da capital, áreas do entorno de Moscou e partes de Kursk também estão incluídas no decreto número 936. A nova regra não apenas desliga as máquinas físicas instaladas nessas regiões, mas também proíbe a participação dos usuários em pools de mineração de criptomoedas.
A decisão afeta diretamente a estrutura do mercado global. No primeiro trimestre deste ano, a Rússia era responsável por cerca de 16,4% de todo o poder computacional da rede, consolidando-se como o segundo maior polo de mineração de Bitcoin no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A mineração de Bitcoin e o impacto nas sanções internacionais
O Ministério da Energia explicou que os equipamentos da indústria cripto consomem atualmente cerca de 1 gigawatt no sistema da capital. Sem a restrição contínua, a capacidade dos data centers ligados à atividade poderia atingir 3,6 gigawatts, o equivalente a 17% da demanda máxima da região até 2032.
A mineração de Bitcoin também possui um papel central na política externa russa. Após a imposição de duras sanções ocidentais, empresas locais passaram a utilizar as criptomoedas geradas internamente como um canal alternativo para realizar pagamentos em escala internacional.
O próprio Ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, já havia confirmado o uso dessa estratégia financeira para contornar as restrições globais. Uma legislação aprovada pelo parlamento russo em julho manteve a proibição de pagamentos internos com criptomoedas, mas abriu exceções importantes para liquidações de comércio exterior com os ativos extraídos no país.
A regulamentação do setor tem passado por mudanças velozes. O país legalizou o registro da atividade no início de 2024, mas rapidamente impôs restrições em várias províncias até 2031 para conter a sobrecarga da rede elétrica, refletindo a dificuldade de equilibrar a tecnologia com o alto consumo dos computadores.



